Cidades
Sa�de registra �bitos por diarr�ia em AL
FELIPE FARIAS Repórter Quinze cidades alagoanas estão passando por surtos de diarréia, com aumento de mais de 100% no número de casos, entre os meses de abril e maio, mas a causa ainda não foi confirmada. A maior suspeita é de que o problema seja causado pelo consumo, por parte da população, de água contaminada. Em Porto de Pedras, por exemplo, o aumento foi de 415%; em Craíbas, de 185%, e em Tanque D?Arca, de 160%. Uma das situações mais graves é em Maragogi, onde ocorreram três mortes atribuídas ao problema - a Secretaria de Saúde reconhece dois óbitos causados pela diarréia. Nos cinco primeiros meses de 2004, a cidade registrou 611 casos de diarréia. Mas, no mesmo período deste ano, o número de ocorrências já chega a 987 casos em Maragogi. A Coordenadoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde (Sesau) classificou a situação como preocupante, mas descarta a existência de uma epidemia - o que haveria é um surto epidêmico. O argumento técnico é o fato de as autoridades responsáveis pela rede pública de saúde ainda terem o controle da situação, oferecendo leitos em quantidade necessária aos pacientes e de estar sendo possível acompanhar as ocorrências caso a caso. Águas da chuva O aumento na incidência de casos de diarréia é uma das conseqüências de períodos de chuva. O que tem de mais grave, porém é deixar a população sob o risco de contrair outras doenças transmitidas por água contaminada, como cólera e febre tifóide. Equipes da Vigilância Epidemiológica foram deslocadas para as cidades atingidas e estão colhendo amostras de água potável e de fezes das vítimas (para identificar as causas do problema). ### Crianças e adolescentes são as maiores vítimas, diz Sesau O trabalho das equipes deslocadas para as áreas atingidas consiste ainda na entrega de soro para reidratação e de hipoclorito de sódio, para tratamento caseiro da água para consumo. A coordenadora estadual da Vigilância Epidemiológica, Cleide Moreira, fez apelo para que os moradores de cidades que registraram aumento no número de casos de diarréia usem o hipoclorito, para tratar a água em casa, e procurem atendimento médico, caso apresentem sintomas do problema. É que, além de ajudar no tratamento, o acompanhamento de profissional de saúde ajuda a fornecer informações aos responsáveis pela rede de saúde. ?Uma de nossas preocupações é identificar a causa da infecção?, explicou. As equipes de agentes e demais profissionais de saúde destacadas para os locais de incidência do problema estão recolhendo amostras ambientais e clínicas como forma de se chegar a uma conclusão sobre a origem da contaminação, que está levando aos surtos de diarréia. As amostras ambientais são de água de várias fontes de consumo. As amostras clínicas são de fezes das vítimas. Ainda assim, segundo a coordenadora, as análises não apontaram para uma conclusão, apesar de a suspeita maior recair sobre a água não tratada ou mesmo com altos níveis de coliformes. ÓBITOS A Vigilância Epidemiológica reconheceu até agora apenas dois, dos três casos de morte registrados em Maragogi e atribuídos à diarréia, como tendo sido causados pelo surto epidêmico. O terceiro ainda está sob investigação, informou a coordenadora. Pelas estatísticas sobre o caso apurado pela Secretaria, as crianças e os adolescentes são os mais atingidos pelos surtos de diarréia. Do total de casos, 3.973 foram registrados na faixa etária de 10 anos ou mais; 3.916, na de um a quatro anos e 2.289 entre menores de um ano. As comparações foram feitas com os registros existentes do período de 2001 a 2004. Em Maragogi, por exemplo, os dados mostram que este ano houve um aumento significativo no número de casos de diarréia. Ainda assim, o aumento de 61% ficou bem abaixo do registrado em outras cidades - e num período bem mais curto, de abril para maio: em Feira Grande, o aumento foi de 155%; em Dois Riachos e Olivença, foi de 140% e em Barra de Santo Antônio, de 134%. Em Maragogi, apenas em março não houve registro de surto de diarréia este ano. |FF