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Emiss�rio s� trata 27% do esgotamento

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MARCOS RODRIGUES Repórter Com um sistema de esgotamento sanitário abaixo do nível crítico, Maceió expõe a subutilização da única obra estruturante para o tratamento dos dejetos residenciais. Com mais de 20 anos de funcionamento, o emissário submarino continua com sua demanda de absorção muito abaixo da capacidade total, pela falta de redes subterrâneas que canalizem o esgoto para a estação de tratamento, localizada na praia do Sobral. A unidade recebe apenas 27% do esgoto produzido na cidade. Os 73% restantes se perdem em fossas artesanais ou seguem sem tratamento para o mar e os rios da capital. O emissário submarino foi construído nos anos 80 para absorver o esgotamento de uma população de um milhão de habitantes - hoje Maceió já ultrapassou a casa dos 800 mil habitantes. O que impressiona, em relação ao esgoto, é que os custos para tratá-lo são astronômicos. Ao longo desses 20 anos, de acordo com números da Companhia de Abastecimento de Água e Saneamento de Alagoas (Casal), o emissário consumiu R$ 75 milhões, entre manutenção e aquisição de equipamentos. Praias poluídas Mesmo com essa subutilização do emissário, são as praias que banham a capital que recebem grande parte desse esgotamento. A prefeitura identificou 75 pontos de lançamentos clandestinos, entre os bairros de Cruz das Almas, Jatiúca, Pajuçara e Ponta Verde. A precária situação do esgotamento sanitário é reconhecida pelo presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), engenheiro Ricardo Vieira. Tanto na periferia como em bairros nobres não se segue a cultura de separar o esgoto do lixo. ?Tudo vai para o esgoto?, diz. ### Empresas estatais de saneamento acumulam dívidas Para sanear Maceió seriam necessários R$ 400 milhões ou 90% da arrecadação de um ano da prefeitura. Hoje, um volume de recursos como este só é possível com a aplicação da Parceria Público Privada (PPP) - projeto já aprovado pelo Congresso Nacional que prevê investimentos de capital privado na área pública. A análise é da ex-prefeita Kátia Born (PSB). Para ela, o maior problema está nas empresas de saneamento e esgoto. ?No Brasil, mais de 80% delas estão falidas ou acumulam dívidas que inviabilizam novos empréstimos. Um exemplo é a nossa Casal?, disse Kátia, que hoje ocupa a Secretaria Estadual de Saúde. Em oito anos à frente da prefeitura, ela lembra que fez investimentos na manutenção do emissário e ligação de esgoto de 25 mil residências dos bairros do Trapiche, Vergel e Ponta Grossa. ?E para este ano o Ministério das Cidades dispõe de R$ 2,8 bi para investimento em saneamento?, lembrou Kátia. Como médica sanitarista, Kátia sabe da importância de se investir em saneamento. Segundo dados do IBGE, apenas 40% das residências do País contam com saneamento. Nos 60% que não se benefeciam do saneamento, 375 em cada grupo de 1.000 recorrem ao SUS apresentando doenças (cólera, hepatite, diarréia e tétano) por falta de condições de higiene adequada. Sofrimento Enquanto as autoridades discutem alternativas financeiras para viabilizar o saneamento, o sofrimento na periferia persiste. Ao lado do próprio emissário, colado ao muro, algumas residências ainda continuam lançando seus esgotos a céu aberto. O mais grave é que ao invés de seguir para a rua o esgotamento sanitário é despejado numa vala existente no próprio terreno do emissário. A situação, entretanto, não foi sempre essa. Maria da Conceição da Silva, moradora do bairro São Sebastião, conta que o esgoto ficava exposto. ?Tudo era na rua mesmo. Agora não tem esgoto, mas o mau cheiro que sai do emissário dá até dor de cabeça?, reclama. As casas próximas sofrem por causa da emissão de gás sulfúrico. O problema só será resolvido com a entrada em operação de duas novas bombas. Até lá o mau cheiro continua. MR ### Emissário filtra esgoto e lança por gravidade A estrutura disponível do Emissário Submarino compreende área equiavalente a um campo de futebol na Praia do Sobral, com três estruturas gigantescas, São tubulações e bombas entre três e quatro metros de diâmetro capazes de receber diariamente 4.000 metros cúbicos de esgoto diariamente. O seu funcionamento exige acompanhamento permanente de uma equipe de dez homens, sendo cinco técnicos e o restante pessoal de apoio. Na prática, a função do emissário é diminuir o excesso de contaminação presente no esgoto, para deixá-lo em níveis aceitáveis e, em seguida, lançar o esgoto no mar. ?Recebemos o esgoto in natura, tratamos ele fazendo a separação dos sólidos, areia e gordura. Depois o submetemos a caixa de areia onde é filtrado e somente assim, por gravidade, ele é lançado no mar?, explica o engenheiro Antonio Fernando Santana do Nascimento. Para a etapa do lançamento a estrutura do emissário possui pier com 2,4 km de extensão. No ponto de lançamento no mar as tubulações ficam submersas a 12m. No ponto de emissão do esgoto existe um trecho de 400 metros com furos (difusores), responsáveis pela mistura do esgoto com a água, para fazer a diluição. Gravidade Antônio Fernando explica que o envio do esgoto à Estação de Tratamento é feito por gravidade, mas em pontos distintos da cidade existem estações elevatórias que erguem o esgoto e depois promovem seu bombeamento em direção ao emissário. Ao todo existem em funcionamento três estações elevatórias. Segundo Ricardo Vieira, presidente da Abes, as estações são as únicas alternativas de projeção do esgoto, por causa da profundidade dos canos de coleta. ?Eles estão ficando cada vez mais profundos, porque o princípio do envio do esgoto é o da gravidade. Por isso, nos pontos planos as estações compensam a falta de desnível?, completa Vieira. Atualmente existem quatro bombas em funcionamento, sendo que mais duas entrarão em operação nos próximos meses. Agregado ao seu funcionamento existe o consumo de energia e mão-de-obra especializada. |MR

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