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Falta de assist�ncia m�dica agrava a mis�ria em aldeia

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REGINA CARVALHO Repórter Para fugir da fome, os índios são obrigados a baratear sua mão-de-obra para os fazendeiros. ?O que acontece: eles vão plantar arroz e a água que usam é contaminada. Para viver, eles acabam morrendo. Ou seja, não é por causa da miséria, mas é assim que o branco quer. Durante centenas de anos o branco foi trabalhando para acabar com o índio e ele foi resistindo?, declarou o professor e pesquisador Luís Sávio de Almeida. Na verdade, o pesquisador lamenta que ?no fundo, o índio acabou sendo escravizado. Ele não tem para onde andar, é dependente do branco. A miséria é a fantasia do problema?, disse Sávio. Sem força de pressão junto ao poder público, como tem, por exemplo, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os índios sofrem com o descaso. ?Acredito que não interessa ao sistema corrigir esses problemas. Conheço índios que circulam nacionalmente e confirmam que o pior governo para essa população está sendo o do presidente Lula? , destacou o professor e pesquisador. Por não ter amplitude política, os índios não têm poder de pressão e muito menos de estrutura de organização. ?Eles não estão sendo efetivamente contundentes. Há até bem pouco tempo nós não podíamos sequer entrar na aldeia. Eles são pessoas como outras quaisquer, que moram em ambientes de pobreza acentuada?, concluiu Luís Sávio. Diagnóstico O trabalho no aldeamento da Fazenda Canto, em Palmeira dos Índios, mobilizou quase 60 profissionais, que não receberam remuneração para realizar a pesquisa. ?Nós saímos com um diagnóstico que a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) deve usar?, declarou o pesquisador Luís Sávio Almeida. Entretanto, o financiamento da pesquisa foi feito pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal). Na aldeia de Palmeira dos Índios, o trabalho de campo foi realizado entre 40 a 50 dias. O resultado da pesquisa sairá num livro até o próximo mês, que já está na gráfica, praticamente pronto. Para realizar a pesquisa alguns itens foram levados em consideração pela equipe, além de não receber dinheiro pelo trabalho. ?Não mexemos com política, genética ou questão religiosa?, enfatizou o pesquisador. Conselho tribal A escolha da área se deu após contatos com lideranças indígenas. Também foi realizada uma reunião com o Conselho Tribal, durante a qual foi concedida a permissão para o estudo no aldeamento. Os pesquisadores fizeram questionamentos sobre doenças, avaliação clínica e laboratorial. Na pesquisa ficou constatado que a maior parte da população da Fazenda Canto é formada por jovens, analfabetos e com formação escolar precária. A renda familiar da maioria da população é menor que um salário mínimo. Não existem água tratada, esgoto e coleta de lixo. Ou seja, no trabalho de campo realizado por pesquisadores ficou constatada a miséria vivenciada pelos índios, agravada principalmente pela falta de assistência médica. Ainda durante os vários dias de trabalho, pesquisadores identificaram a inexistência de estudos sobre as condições de saúde dos índios alagoanos. ?Existem poucas informações confiáveis?, enfatizou Luís Sávio de Almeida.

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