Cidades
Acidentes com fogo atingem crian�as durante todo o ano
CARLA SERQUEIRA Repórter Quando o período das festas juninas se aproxima, a atenção para evitar acidentes com fogos de artifício é redobrada. Mas, de acordo com a Unidade de Emergência Armando Lages (UE), o perigo de queimaduras é constante e, na maioria dos casos, está dentro de casa. ?Não tem época. O hospital está sempre recebendo vítimas de queimadura. O pior é que o número de acidentes vem aumentando a cada ano?, disse a coordenadora da unidade de queimados da UE, Márcia Rebêlo. Na maioria dos casos, as vítimas são queimadas com água fervente - as chamadas escaldaduras; ou chamas provocadas pelo uso indevido do álcool. Só no ano passado, entre internos e atendidos em ambulatório, a UE registrou 829 casos; em 2003 foram 672, e em 2002, 582. Nas últimas festas juninas, duas crianças perderam os dedos soltando fogos. ÁGUA QUENTE Nos meses de maio e junho, quando a venda de fogos de artifício é expressiva, as campanhas de prevenção ganham as ruas. Além dos fogos e das fogueiras, a ameaça está também no momento em que as comidas típicas são preparadas. ?A maior parte destas comidas é feita com água fervente e, se não houver cuidado, tanto crianças como adultos podem sofrer acidentes?, disse Márcia Rebêlo, afirmando que 50% das internações são infantis. No ano passado, no período das festas juninas, deram entrada na UE 48 pessoas. Destas, 11 foram vítimas de escaldaduras, 14 de chamas, principalmente causadas pelo álcool; e 4 de fogos de artifício. Pirotecnia Carlos Jorge Pimentel é gerente de uma das barracas de fogos montadas na Praia de Jaraguá. Ele garante que não vende fogos a crianças. ?Só acompanhadas pelos pais?. Nas prateleiras, produtos com efeitos de encher os olhos e alimentar a curiosidade. ?Estamos esperando os importados?, afirma Carlos. Os preços variam de R$ 1,50 (os famosos traques) até R$ 600 (caixas com rojões). ?Tem pais que chegam sem saber direito o que levar. Acham que as chuvinhas podem ser manipuladas por crianças de 5 ou 6 anos, aí a gente orienta para não levar?, diz ele. Todas as vezes que passa pelo local, o neto de Eunice Velença, de 4 anos, insiste em comprar fogos. A avó não resiste e deixa o menino escolher. Nas compras, traques e chuvinhas. ?Acho que ele já pode soltar as chuvinhas sozinho. Ficamos sempre por perto?, afirmou. Mas a médica Márcia Rebêlo alerta: ?Muitos pais não imaginam que só pelo fato de a criança carregar fogos nos bolsos, mesmo bombinhas de pequenas proporções, e estar próximas das fogueiras pode haver explosão, porque a pólvora aquece?. Cada barraca deve obedecer às normas de segurança dos Bombeiros. As regras exigem que cada barraca tenha à disposição extintores, baldes de água já prontos para emergências e distantes três metros uma das outras. ACIDENTEs DOMÉSTICOS Para a coordenadora da Unidade de Queimados da UE, Márcia Rebêlo, ?as campanhas têm ajudado a evitar acidentes, mas é preciso que elas sejam constantes. Acidentes domésticos têm vitimado muita gente em todos os meses do ano?. Ontem, uma criança de dois anos deu entrada no hospital com queimaduras de segundo grau. Em casa, na cidade de Palmeira dos Índios, a criança caiu sentada numa panela de água quente. Hoje, estão internados na Unidade de Emergência 19 pessoas; do total, cinco são crianças. Entre elas está o filho de Eliene Ruth Lopes, de dois anos. Uma vela caiu no sofá de sua casa, na favela Virgem dos Pobres, no Trapiche. ?Ele estava dormindo na cama. Fui pegar minha filha na casa de uma amiga, quando voltei, a casa estava em chamas. Eu não podia entrar, nem ele sair?, contou. Há 10 dias o filho de Eliene está internado na UE esperando alta médica.