Cidades
Alagoas tem maior abismo social entre brancos e negros
FELIPE FARIAS Repórter Alagoas é o Estado brasileiro com maior diferença social entre brancos e negros, conclui o estudo ?Radar Social 2005?, divulgado, ontem, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O levantamento aponta que, na média nacional, 44,1% dos negros vive em domicílios com renda por pessoa inferior a meio salário mínimo. Entre os brancos, o percentual de famílias nas mesmas condições cai para 20,5%. Em Alagoas, o percentual de diferenças sociais entre os dois segmentos chega a 67,8%. No Rio de Janeiro, Estado com menor índice de diferença, o percentual apurado pelo estudo do Ipea foi de 24,8%. Homicídios Alagoas também é destaque negativo do estudo pelo fato de Maceió ser a quarta região metropolitana com maior incidência de homicídios. Com 56,9 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes, a capital alagoana está atrás apenas de Vitória (ES), com 78,2, de Recife (PE), 76,7 e do Rio de Janeiro (62,6) e à frente de São Paulo (51,7). Concentração O estudo do Ipea, divulgado ontem, em Brasília, pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, aponta que o País possui 53,9 milhões de pobres, assim definidas as famílias que têm em 2003 renda per capita (por pessoa) inferior a meio salário mínimo, ou R$ 120. O contingente equivale a 31,7% da população brasileira, mas não é o de pior situação social. O mesmo estudo aponta que 21,9 milhões de brasileiros se encontravam na condição de indigentes, por viverem com um quarto de salário mínimo, ou R$ 60 por mês, à época. Entretanto, um dos dados mais contundentes apontados pelo levantamento é a alta concentração de renda, que continua existindo no País: 1% dos mais ricos ficam com 13% da renda nacional, mesmo percentual (13,3%) que é dividido pelos 50% mais pobres. Isso faz com que o Brasil esteja em penúltimo lugar entre 130 países, no quesito concentração de renda, perdendo apenas para Serra Leoa, na África. As informações para definir a concentração de renda são do Relatório de Desenvolvimento Mundial das Nações Unidas, que possui índice para indicadores sociais que permitem medir essa variante. O índice vai de zero a 1 (máximo de desigualdade). O do Brasil foi 0,60.