Cidades
Greves param servi�o p�blico na capital
REGINA CARVALHO Repórter Paralisações, greves e tumulto marcaram o dia de ontem em Maceió. Servidores federais e municipais exigem avanço nas negociações para reposição salarial. Guardas municipais e policiais do grupo de Gerenciamento de Crise da Polícia Militar de Alagoas foram acionados para conter o protesto dos servidores públicos municipais em frente à Secretaria Municipal de Finanças. Cerca de 200 servidores, a maioria dos setores da saúde, trânsito e educação, participaram do protesto, impedindo o atendimento na secretaria. Além de funcionários da secretaria, Fernando Dacal, secretário municipal de Finanças, também foi impedido de entrar no prédio. Algumas pessoas tentaram em vão ?furar? a barreira formada por servidores. O marceneiro Edvaldo Cardoso, que tentou entrar no prédio, ficou revoltado com o protesto e chegou a discutir com manifestantes. Ele foi buscar uma nota fiscal na secretaria para agilizar o recebimento de dinheiro. No momento da confusão guardas municipais protegeram o marceneiro que teve o relógio quebrado. Ainda nervoso, ele gritava com os servidores. ?Não tenho nada a ver com a greve. Isso é um absurdo. Tenho que dar entrada hoje em documentos para receber um dinheiro meu?, lamentou Cardoso. Negociação parada O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais Sidney Lopes disse que a negociação com o prefeito Cícero Almeida não avançou nos últimos quatro meses. ?O próprio prefeito mandou que nós fizéssemos greve. Tentamos negociar, mas não teve acordo?, declarou o presidente. De acordo com ele, a categoria pediu 30.60% de reposição salarial, referente ao ano de 2001 a abril deste ano. ?Chegamos a baixar para 15% mas o prefeito não aceitou. Amanhã (hoje) a prefeitura volta a funcionar normalmente?, acrescentou Sidney Lopes. O presidente do sindicato denunciou que os onze guardas municipais foram enviados para intimidar os manifestantes. ?O prefeito jogou os guardas contra os servidores?, lamentou. ### Paralisação fecha agências do INSS Maria José dos Santos, moradora do bairro Tabuleiro do Martins, procurou ontem uma agência do INSS, mas encontrou as portas fechadas. A dona-de-casa buscava atendimento, entretanto foi avisada de que havia sido iniciada uma greve por tempo indeterminado. ?Não sabia dessa greve. É uma pena, tinha que resolver esse assunto hoje. Terei que vir outro dia?, lamentou. Com a deflagração ontem da greve em órgãos federais de Alagoas e em todo o País, a população foi a maior prejudicada. Mais de cem funcionários da agência do INSS Ary Pitombo, no Centro de Maceió, estão de ?braços cruzados? desde ontem. Eles criticam o reajuste oferecido pelo governo federal de 0,1% e pedem reposição salarial de 18%, índice correspondente às perdas acumuladas. Os setores administrativos do Ministério da Agricultura e da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) tiveram suas atividades paralisadas. Ontem, servidores da universidade iniciaram mobilização no Campus e Hospital Universitário (HU). Estão paralisados também alguns setores, na maioria administrativo, do Incra, Ibama e DRT. Em alguns órgãos federais a paralisação atingiu quase 100% de adesão como no Ministério da Agricultura, que iniciou a greve desde o último dia 16 e o INSS, que começou ontem. Já na Funasa atingiu apenas 20% e Ufal 30% do efetivo. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal (Sindsep), Jogelson Veras, informou que a adesão dos servidores está acontecendo paulatinamente. Alguns órgãos como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Ministério da Fazenda iniciaram a greve ontem. A categoria tenta implementar um Plano de Cargos e Carreiras (PCC).