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F�brica de carteiras garante empregos

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REGINA CARVALHO Repórter Enquanto unidades da rede estadual de ensino sofrem com a falta de móveis escolares, que acaba impedindo o andamento das aulas, como na Escola Estadual Gilvana Ataíde Costa Cabral, no bairro de Santa Lúcia, a instituição Juvenópolis, em Bebedouro, que atende famílias carentes, fabrica cerca de três mil carteiras e cadeiras escolares por mês. Parte dessa demanda é absorvida pelas redes municipal, estadual e particular de ensino, mas como o material somente é negociado por meio de convênio, alguns conjuntos escolares ficam à espera de compradores. Sobrevivência A aquisição desse material da entidade garante o sustento do Juvenópolis. ?Tenho medo de que mudanças de governo possam comprometer o funcionamento da nossa instituição, porque um dos principais compradores é o governo?, declarou Flávio Cunha, presidente do Juvenópolis. Os recursos para manutenção da entidade são oriundos, principalmente, da fábrica de conjuntos escolares que funciona desde 1995. ?Por meio dela conseguimos abrir uma confecção de roupas e pagamos os funcionários da instituição. Essa fábrica garante o nosso sustento?, enfatizou Flávio Cunha. Por terem preços mais acessíveis, os tubos de aço para a fabricação das carteiras e cadeiras são comprados em Fortaleza, Salvador e São Paulo. A madeira vem do Pará e os assentos e encostos de Santa Catarina. ?Compramos desses locais por terem preços mais baixos?, esclareceu o presidente. Tinta em pó Para baratear a produção e a venda dos produtos, a direção determinou ainda que os profissionais usem tinta em pó, vinda do Estado de São Paulo, mais econômica e durável que a convencional. ?Temos que ter preços e qualidade compatíveis porque concorremos com todo tipo de indústria?, acrescentou Cunha. PRODUÇÃO Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Executiva de Educação, a produção oferecida pelo Juvenópolis é pequena, insuficiente para atender à quantidade de conjuntos exigida nas escolas estaduais. ?Lá não tem funcionários suficientes para atender essa demanda?, informou. De acordo com a assessoria, o convênio da secretaria com a instituição se venceu e está em análise para renovação. O processo está parado na Procuradoria Geral do Estado (PGE). ?Esse convênio está sendo analisado para possível renovação?, acrescentou a assessora. A Secretaria Executiva de Educação informou que a última compra feita ao Juvenópolis ocorreu há dois anos. A entidade foi fornecedora do governo do Estado até 2003, data que ainda não foi prorrogada. O último pedido feito pela secretaria de 20 mil carteiras escolares foi prontamente atendido pela instituição. ### Confecção de roupa amplia renda Por meio de licitações públicas qualquer empresa do País pode fornecer os conjuntos escolares a Alagoas. A Secretaria de Educação anunciou a aquisição de 35 mil novos conjuntos escolares, adquiridos através de pregão, mas foi adiado porque empresas locais denunciaram que as exigências contidas no edital privilegiaria a paranaense Cerquipel. Prevendo problemas futuros e como forma de garantir o sustento do Juvenópolis, uma confecção foi aberta há seis meses. ?Aqui confeccionamos fardamentos a partir de encomendas feitas por empresas de Maceió?, declarou Flávio Cunha. O presidente do Juvenópolis informou que tem uma encomenda de 6 mil conjuntos escolares para serem entregues à Secretaria Municipal de Educação (Semed). ?Eles serão entregues nos próximos dias?, garantiu Flávio Cunha. Apanhava do pai ?Fugi de casa porque apanhava do meu pai. Minha mãe me abandonou quando eu tinha apenas cinco anos e foi embora para São Paulo. Depois disso resolvi morar na rua?. O relato é do pintor Roberto da Conceição, de 28 anos. Ele foi morar na instituição Juvenópolis, em Bebedouro, quando tinha apenas dez anos de idade. Hoje, casado e com um filho de quatro meses, ele tem uma profissão, uma casa para morar e dignidade. Essa história parece com a de muitos outros ex-meninos de rua, mas possui um diferencial: a entidade que acolheu Roberto quando criança oferece até hoje assistência, e o melhor, um emprego com carteira assinada. ?Antes de vir para cá, cheguei a ser atendido por outras duas instituições, mas acabei vindo para o Juvenópolis, que hoje é minha segunda família?, declarou o pintor. Roberto trabalha como pintor na fábrica de móveis escolares, que é o coração da Juvenópolis. Como ele, outros 24 jovens de 16 a 24 anos também produzem conjuntos formados por carteiras e bancas. Como forma de retribuição por tudo que a instituição lhe ofereceu, Roberto da Conceição voluntariamente resolveu dar aulas de religião aos sábados no Juvenópolis, para crianças e adolescentes carentes.

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