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Renda e educa��o s�o reprovadas em AL

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MÁRIO LIMA Editor de Cidades Quando se fala em pobreza, Alagoas volta a ser o grande destaque negativo. O Estado assume a ponta na pesquisa do Ipea quando se trata de miséria, concentração e distribuição de renda, com o mais baixo nível de pobreza do Brasil. Índice que colaborou para que o país tenha a segunda pior distribuição de renda do mundo, só acima de Serra Leoa, na África. O Ipea mostra Alagoas como o estado com a maior proporção de pobres do país: 62,3%, com uma renda domiciliar percapita de até meio salário mínimo (R$ 150). No Brasil foram 53,9 milhões de pessoas - 31,7% da população total (ou um em cada três brasileiros) - que se consideraram pobres e informaram a renda de R$ 150. Em Santa Catarina, os pobres perfazem 12,1% da população. Educação reprovada Está na educação a chave para entender uma das maiores tragédias brasileiras. Sem informação, sem educação básica mínima, o Brasil explode demograficamente. De acordo com os números traduzidos pelo Ipea, a fecundidade é maior entre as mulheres com menor escolaridade e a mortalidade infantil é mais alta e predominante em pessoas com menos de quatro anos de estudo. De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef), ?os filhos de mães com pouca ou nenhuma escolaridade, quando comparados com crianças cujas mães tenham bom nível educacional, terão sete vezes mais possibilidade de serem pobres, e 11 vezes mais possibilidade de não freqüentar a escola e 23 vezes mais chance de não ser alfabetizado?. Os números frios explicam o porquê de o Estado mais pobre do Brasil, e o de maior taxa de mortalidade infantil, apresentar também todos os piores indicadores na educação. Analfabetismo Segundo os mapas do Ipea, com relação à educação, Alagoas tem a maior taxa no país de analfabetismo entre a população branca e negra, urbana e rural, com 15 ou mais anos de idade (veja gráfico); a menor taxa no país da população de 15 ou mais anos que concluiu o ensino fundamental e o menor número médio de anos de estudo: 6,6 anos. No Brasil, o analfabetismo atinge a 14,6 milhões de pessoas com mais de 15 anos, que coloca o País em 19º lugar em relação aos demais Países da América Latina. Apenas nas cidades brasileiras são 9,6 milhões de analfabetos. ?Além do analfabetismo constituir um sério entrave ao desenvolvimento econômico do País, sua persistência compromete o avanço da cidadania. Como um legado antigo, restringe, ainda hoje, as possibilidades de bem-estar de parte da população?, diz o estudo. ### Mortalidade infantil em alta no Nordeste ?A saúde é um direito de todos e um dever do Estado?. Manda a Constituição brasileira. Mas não parece que o Estado reconheça esse dever. ?Pois ainda é grande o impacto na mortalidade geral da população, daí a importância da promoção dos direitos humanos e da justiça social?, diz um trecho da pesquisa. Além de a mortalidade infantil e materna continuar alta no Nordeste - e mais uma vez Alagoas aparece com a mais alta taxa de mortalidade do País (veja mapa) - a pesquisa apontou também como principais problemas de saúde dos brasileiros a crescente elevação da mortalidade por doenças não-transmissíveis e a elevada taxa de mortalidade por acidentes e por violência. Condições de pobreza A mortalidade recorde em Alagoas tem explicação, diante dos problemas associados pela pesquisa à mortalidade materna e de crianças, que são as condições de pobreza da população e as dificuldades de acesso a serviços de saúde de boa qualidade e a um saneamento adequado. Outras doenças Já as mortes por doenças não-transmissíveis, como câncer, infarto, acidentes vasculares cerebrais e diabetes representam atualmente cerca de metade das mortes no País. De acordo com a pesquisa, resultam de estilos de vida inadequados, como má alimentação, pouca atividade física e condições estressantes de trabalho. ### Taxa de homicídios triplicou no país A taxa de homicídios dolosos, ou seja, intencionais, quase triplicou no Brasil, passando de uma taxa de 11,4 vítimas por 100 mil habitantes em 1980 para 29,1 em 2003. O fácil acesso a armas de fogo, o crescimento do crime organizado e o alto grau de impunidade são apontados pela pesquisa do Ipea como os maiores responsáveis por esses homicídios. A pesquisa também mostra que, em 2003, o Rio de Janeiro era, ao lado de Pernambuco, os estados com maior taxa de homicídios, 54,7 por 100 mil habitantes. Em terceiro lugar aparece o Espírito Santo, com 50,5, seguido pelo Distrito Federal (39,1), Rondônia (38,5), São Paulo (36,3), Alagoas (35,9), Amapá (35,5) e Mato Grosso (35). Os demais estados possuem taxas entre 10,8 e 29,9. Maceió violenta Já nas regiões metropolitanas o quadro da violência muda um pouco, mas traz a capital alagoana, Maceió, como a quarta mais alta taxa de homicídio - 56,9 por 100 mil habitantes - perdendo só para Vitória (ES), com 78,2; Recife (76,7); Rio de Janeiro (62,6) e Maceió (56,9). O estudo refuta a idéia de que a pobreza por si só é responsável pelo aumento da violência. ?Os números mostram, no entanto, que a maioria absoluta das pessoas pobres não está envolvida com a criminalidade. E mais: que também os ricos praticam vários crimes (violentos ou não, como a sonegação de impostos). Isso não quer dizer que as carências sociais não aumentem soluções imediatas e ilegais, sobretudo para os jovens?, diz a pesquisa. |ML

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