Cidades
AL lidera piores �ndices sociais do Pa�s
MÁRIO LIMA Editor de Cidades Como é difícil ser alagoano. Mais uma vez, o Estado é destaque negativo na imprensa nacional - após os graves episódios da Operação Gabiru - com a divulgação, na última quarta-feira (1), do Radar Social 2005, uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que constatou: Alagoas lidera os piores índices sociais entre todos os estados brasileiros. Com base nos dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), de 2003, entre as seis dimensões que retratam a qualidade de vida do brasileiro, Alagoas está na ponta do ranking negativo em pelo menos cinco: trabalho, renda, educação, saúde e segurança. O sexto item do Radar Social 2005, moradia, a pesquisa não aponta dados estaduais, mas nacionais, já que favelização, irregularidade fundiária e falta de saneamento são problemas crônicos nacionais. Tristes recordes O fato é que Alagoas volta a ostentar o título de campeão nacional em mortalidade infantil; em analfabetismo entre brancos e negros - no Estado, existe hoje um analfabeto para cada quatro pessoas alfabetizadas, revela o Ipea; os trabalhadores alagoanos têm a segunda pior renda real média nacional per capita; e o número mais incrível: temos a maior proporção de pobres do Brasil (62,3%) com relação ao total da população do Estado. Com os negros a coisa ainda é pior: eles respondem pela maior taxa nacional de pobreza: 67,8%. No quesito segurança, o problema é mais crítico na região metropolitana, que puxa índices de criminalidade que lançam Maceió como a quarta mais alta taxa de homicídio - 56,9 por 100 mil habitantes - perdendo só para Vitória (ES), com 78,2; Recife (76,7); Rio de Janeiro (62,6). A pesquisa A pesquisa do Ipea tem um enfoque inovador, que é fornecer ao público não especializado informações e estatística que ajudam a entender e a acompanhar as condições de vida da população brasileira. São 121 páginas, com gráficos e interpretações que trazem raios x social e econômico do País. ?As informações apresentadas são as mais recentes e retratam o quadro de problemas e desigualdades sociais herdadas pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva?, afirma Glauco Arbix, presidente do Ipea, vinculado ao Ministério do Planejamento e um dos institutos de maior credibilidade no País. RENDA REAL MÉDIA A pesquisa do Ipea abre a série temática com o trabalho e busca no fraco desempenho da economia brasileira nos últimos 20 anos - que não conseguiu estabelecer períodos de crescimento sustentado - como conseqüência dos graves problemas que atinge hoje o trabalhador, seu bolso e sua família: o desemprego, a informalidade e a queda da renda média real. Segundo a pesquisa, em oito anos - 1996 a 2002 - a renda média do trabalhador brasileiro caiu 15%, de R$ 754 para R$ 589,9. Em 2003, a renda média ganhou fôlego e subiu para R$ 639,3. Através da renda é possível constatar o fosso social entre as regiões brasileiras. Os trabalhadores de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília chegam a ganhar três vezes mais que um trabalhador do Ceará - que tem a pior renda real média do País (R$ 393,5), com números de 2003. De acordo com o mapa de renda do País, Alagoas fica com a segunda pior: R$ 394,50. No Piauí, a renda média chega a R$ 401. Os mais atingidos pelos problemas de mercado de trabalho no País são os jovens, as mulheres e os negros. Quanto à remuneração, por exemplo, a pesquisa constatou que os homens auferem - em média - uma remuneração 60% maior que a das mulheres. Os brancos, por sua vez, têm remuneração 100% maior que a dos negros. A média de desemprego também é maior entre as mulheres (12,7%), do que os homens, com 8% de taxa de desemprego sobre a população total masculina.