loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Alagoas re�ne parteiras do Nordeste

Ouvir
Compartilhar

CARLA SERQUEIRA Repórter Parteiras de cinco estados do Nordeste participam de uma capacitação em Maceió realizada pelo Ministério da Saúde. Responsáveis por cerca de 20% dos partos nas zonas rurais do País, as parteiras chamadas ?tradicionais?, que realizam os nascimentos em domicílios, começam a ser reconhecidas e aprendem, nas oficinas, a trabalharem com portadoras de doenças sexualmente transmissíveis (DST). São vinte e cinco mulheres oriundas da Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Maranhão. ?As participantes foram escolhidas por serem lideranças e devem repassar os conhecimentos para outras parteiras de seu Estado?, contou a representante do Ministério da Saúde, Inocência Negrão, afirmando que a solicitação do encontro veio das próprias parteiras. valorização profissional A presidente da Associação das Parteiras de Caruaru, Josefa Alves de Carvalho, tem 65 anos dos quais 33 dedica a partos domiciliares. Ela cobra o reconhecimento da profissão. ?Estamos lutando para sermos reconhecidas. Até hoje, só as parturienses nos valorizam?. Sobre a necessidade de trabalhar o tema DST e Aids, Josefa Alves alerta: ?Já estava em tempo do Ministério da Saúde nos capacitar. Os indíces destas doenças estão aumentando espantosamente?, disse, acreditando que a prevenção vai ajudar muitas mães. De acordo com o Ministério da Saúde, a cada ano, na América Latina, morrem mais de 23 mil mulheres por causas relacionadas à gravidez e ao parto. A Pesquisa Nacional Demografia e Saúde (PNDS), realizada em 1996, demonstra que 32% das gestantes de áreas rurais do Brasil não tiveram nenhum atendimento pré-natal. A mortalidade, nas áreas urbanas, chega a 42 por mil nascidos vivos e, na zona rural, a 65. A parteira alagoana Rosenilda Francisca de Oliveira, 36, é de União dos Palmares. Ela explica que muitas gestantes sentem vergonha de irem ao médico e vêem nas parteiras, além de uma agente da Saúde, uma amiga. ?Muitas vezes elas têm vergonha de dizer o que sentem?, afirma, contando o caso de uma adolescente que teve que ser transferida com urgência para Maceió. ?Antes de fazer o parto percebi que ela era portadora de DST, então preferi encaminhá-la para um médico profissional?, disse Rosenilda Francisca que há 10 anos realiza partos. Inocência Negrão, representante do Ministério da Saúde, afirmou que o conteúdo trabalhado na capacitação é trazido pelas próprias parteiras. ?Trabalhamos com problemas reais que elas enfrentam em suas cidades e damos o suporte científico, aumentando o conhecimento destas mulheres que já detêm a técnica?, dizendo que este é o primeiro encontro. ?Vamos para as regiões Norte e Centro-Oeste também?. Alice Rodrigues de Oliveira, 46, é de Trindade, Pernambuco, e se diz apaixonada pela profissão. ?É um momento muito bonito. Sou parteira com muito orgulho e só vou deixar de ser quando morrer?. As oficinas de capacitação estão sendo realizadas no Hotel San Marino, na Ponta Verde desde domingo, dia 5, e serão encerradas na sexta-feira, dia 24.

Relacionadas