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Rap�so v� favorecimento em contratos

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter As suspeitas de tráfico de influência na Caixa Econômica Federal, em Alagoas, denunciadas por empresários da construção civil, segundo as quais o banco estaria favorecendo a imobiliária Soares Nobre, na comercialização de imóveis construídos com recursos do Programa de Imóvel na Planta (PIP), estão longe de arrefecer. Ontem, o empresário Márcio Rapôso, dono de uma das mais conhecidas imobiliárias do Estado, confirmou as suspeitas, que, segundo ele, alimentam comentários no setor há pelo menos seis meses. Segundo Rapôso, as suspeitas de prevaricação - denunciadas pelos empresários na edição de domingo da Gazeta - são sustentadas em evidências que, no mínimo, já deveriam ter chamado a atenção do superintendente, Edmilson Soares. ?Cerca de 90% dos empreendimentos comercializados pela Soares Nobre são financiados pela Caixa; e 100% de todos os empreendimentos financiados pelo PIP vão para a mesma imobiliária?, destaca ele. A imobiliária que estaria sendo beneficiada pertence a Emanuel Soares Nobre, funcionário da Caixa e irmão do superintendente Edmilson Soares. E embora o banco negue, por meio de sua assessoria de comunicação qualquer favorecimento a quem quer que seja, na avaliação de Márcio Rapôso, a situação é, no mínimo, desconfortável. OUTRO LADO O assessor de comunicação da Caixa, Pedro Paes, negou, mais uma vez, as denúnicas de prevaricação feitas pelos empresários, envolvendo o superintendente. Ele afirma que a escolha da imobiliária é feita pela construtora, sem ingerência ou controle da Caixa. Negou também que a Soares Nobre detenha 100% dos empreendimentos para comercialização. ?A própria Márcio Rapôso foi escolhida pela Construtora B. Santos para a comercialização de um PIP?, diz ele. Na avaliação de Márcio Raposo, no entanto, é difícil acreditar que Soares não tenha percebido o que estava acontecendo. ?Mesmo acreditando que possa não estar havendo prevaricação, do jeito que as coisas estão acontecendo, dá a entender que existe, e há muito tempo circulam comentários. Quem ocupa determinados cargos têm que ter cuidado exagerado com determinados quesitos. Ter o máximo de transparência e não deixar margem para a dúvida?, destaca. Rapôso deixa claro, no entanto, que não há qualquer indício de favorecimento da Caixa em relação às construtoras. ?Quem se habilita e preenche todos os requisitos é recebido com boa vontade, tem o empréstimo, se não o fizer, eles (a Caixa) perdem pontos na meta?, diz. ?Todas as construtoras têm projetos aprovados, e isso não depende de favorecimento; todas trabalham no mercado comum da construção civil e com a Caixa, mas é estranho que eles entreguem todos os seus prédios para a Soares Nobre?, questiona. Ele contesta, também, a afirmação utilizada por Emanuel Nobre em sua defesa, de que as outras imobiliárias não estariam capacitadas para competir e comercializar os imóveis da Caixa. ?A Márcio Rapôso vende 65% de todo o mercado. Há 8 anos, só trabalhávamos com a Caixa e desafio a Soares Nobre a somar. Garanto que vendi 20 a 30 vezes mais do que ele. O que eu vendo em um dia ele não vende em um mês. Ele não pode se defender chamando os outros de incompetentes?, conclui Rapôso.

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