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Benedito Bentes colhe feij�o em �rea rural

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MARCOS RODRIGUES Repórter O combate à fome e a criação de alternativas para a subexistência da população desempregada podem ser encontrados numa experiência pioneira no bairro do Benedito Bentes. Graças a uma parceria da prefeitura comunitária do bairro e a Usina Santa Clotilde, uma área de 100 hectares foi destinada à produção de feijão de corda. Ao todo mais de 200 famílias carentes da comunidade foram cadastradas para plantar e cuidar de uma gigantesca plantação, às margens da avenida principal do bairro. Elas fazem parte do projeto ?Plante Bem, Cidadão?, desenvolvido há três anos. A idéia é simples e consiste em aproveitar a terra da usina depois da colheita da cana-de-açúcar. O processo de preparo do solo incluiu um ?repouso? de três meses (de janeiro a agosto). O feijão surgiu como uma alternativa barata e eficaz no processo de recuperação e manutenção. ?A planta tem a capacidade de deixar o solo com nitrogênio, necessário para a sua reparação. Se não fosse isso a terra ficaria exposta ao sol e chuva?, explicou o agrônomo da usina José Roberto Fernandes Gomes. Ele avalia que a parceria foi uma solução para quem planta e colhe o feijão. ?Já a usina cumpre um papel social e ainda preserva o solo da ação de ervas. É bom para os dois lados?, enfatizou José Roberto. Famílias Mas o destaque da plantação, além do verde, é o envolvimento das famílias carentes do bairro. São pessoas que, em sua maioria, foram expulsas do campo e na cidade nunca conseguiram empregos de carteira assinada. A história do pedreiro desempregado, Severino Gonçalves de Lima, 55, é exemplo dessa trajetória. Ele conta que a renda da família não ultrapassa os R$ 250. ?Moro com nove pessoas em casa. O dinheiro para sustentar todo mundo não dá. Por isso, hoje, se não tivesse isso aqui não teria nada?, revela Severino com um sorriso, confirmando que vai estocar o feijão para os próximos meses. A ex-agricultora Josefa Macena dos Santos, 44, vive situação semelhante. Oriunda do município de Viçosa, ela conta que veio para Maceió em busca de trabalho, mas que o marido vive de ?bicos?. Ela já é avó, e divide seu espaço com outras oito pessoas numa casa pequena próximo ao terminal do Benedito Bentes. Empolgada com o resultado da colheita, ela garante que participará dos próximos projetos. Comércio Para os que já estão no projeto desde o início, a experiência com a produção já permite a estocagem e comercialização. Esse é o caso do ex-portuário Sebastião de Andrade Belo, 58. Ele mora com filhos e netos. A colheita que fez em um pedaço de terra lhe rendeu dez sacos de feijão. ?Oito eu já vendi por aqui mesmo. Consegui um preço que varia entre R$ 15 e 18?, disse Sebastião. A motivação, entretanto, também envolve pessoas que estão participando pela primeira vez. ?Nunca plantei, mas gostei do que consegui aqui?, confessa a doméstica desempregada Leureni Maria dos Santos, 42. Ontem, mesmo depois da colheita ela foi para casa debulhar o feijão. ?Esse aqui já vai para a panela?, disse animada. O coordenador do projeto, Silvano Barbosa, disse que ainda esta semana mostrará o resultado da colheita para o governador e o secretário de Agricultura. ?O desafio é garantir assistência para os meses seguintes?.

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