Cidades
Sinteal teme privatiza��o da merenda
REGINA CARVALHO Repórter Entidades sindicais estão questionando a terceirização na compra da merenda escolar oferecida inicialmente para 13 mil alunos da rede municipal de ensino de 17 escolas, anunciada ontem pelo prefeito de Maceió Cícero Almeida e pelo secretário municipal de Educação, Régis Cavalcante. ?Temo que isso seja o início do processo de privatização. Por se tratar de empresa privada, ela não vai permitir que o Conselho Escolar fiscalize junto às escolas?, afirmou a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal), Girlene Lázaro. O contrato feito de ?forma emergencial?, segundo definiu o secretário municipal de Educação com a empresa SP Alimentos e Serviços, de São Paulo, chega a R$ 1,4 milhão. Ele confirmou, durante cerimônia na Escola Municipal de Educação Básica Denisson Menezes, no Tabuleiro do Martins, que não houve licitação e enfatizou que ?terceirização não é crime?, respondendo a acusações de que a prefeitura estaria beneficiando, por motivos ainda ?obscuros?, apenas uma empresa. ?O mais rápido possível vamos providenciar a licitação, mas a escolha foi de urgência pois nessas escolas não havia almoço, existia apenas lanche para as crianças?, disse. Retrocesso De acordo Girlene Lázaro a forma como foi conduzida a compra da merenda escolar à empresa paulista representa um retrocesso. ?A prefeitura em nenhum momento consultou o Conselho Escolar. Não houve debate. Escolheram uma empresa por motivos que ainda desconhecemos?, informou a presidente do Sinteal. Girlene Lázaro destacou ainda que por ser o valor do contrato considerado alto deveria ser acompanhado ?de perto? pelas entidades e também por se tratar de terceirização, o serviço prestado pela empresa vai ser mais difícil de ser fiscalizado pelo Conselho Escolar. Ela destacou ainda que a prefeitura não esclareceu porque foram escolhidas as 17 escolas. ?Por que a secretaria não investe em equipamento??, questionou. A SP Alimentos e Serviços vai fornecer e preparar a merenda e isso, segundo Girlene, pode acarretar na extinção da função das merendeiras dentro das escolas. Segundo a secretaria municipal de Educação (Semed) o novo sistema de compra é descentralizado e deve representar economia porque somente serão pagas as refeições entregues. Entretanto o Conselho de Alimentação Escolar não concorda com a argumentação e denuncia que a terceirização do serviço acarretará na centralização, já que apenas uma empresa foi contemplada com o fornecimento e preparação das refeições. Cícero Almeida acusou a oposição de fazer terrorismo. ?Estamos sendo ousados. Os adversários que se preocupem. Não estamos sendo ilícitos nessa compra?, declarou o prefeito.