Cidades
PRT vai �s ruas contra trabalho infantil
MARCOS RODRIGUES Repórter O combate ao trabalho infantil, a exemplo do que ocorre nos sinais de trânsito, foi alvo ontem de uma campanha de conscientização desenvolvida pelas entidades que integram o Fórum Estadual de Combate ao Trabalho Infantil. No dia 12 de junho no mundo inteiro estarão ocorrendo mobilizações pela passagem do Dia Internacional de Luta Contra o Trabalho Infantil. Durante duas horas foi realizada uma panfletagem no cruzamento das Avenidas Thomaz Espíndola com Dom Antônio Brandão, no bairro do Farol, para conscientizar os motoristas a não dar esmolas nem comprar produtos a crianças. Segundo a procuradora Regional do Trabalho, Virgínia Ferreira, a sociedade tem que deixar de ter ?piedade? e cobrar políticas para as crianças. ?Do contrário a realidade vai continuar assim, porque as crianças orientadas pelos pais estão com a ilusão de que ganham mais nos sinais?, alertou a promotora durante a atividade. Ela lembrou que a PRT, juntamente com as demais entidades, está pressionando o poder público para prestar mais assistência às crianças. ?Essa é a maior cobrança, já que em nossa avaliação as políticas para as crianças não estão sendo priorizadas?, acrescentou Virgínia Ferreira. Comércio Enquanto era realizada a panfletagem o comércio informal nos sinais não parava. Ao todo 15 crianças se dividiam entre os cruzamentos das duas avenidas no Farol. A reportagem da Gazeta de Alagoas conversou com o garoto T.F.S., 15, que vende feijão de corda de manhã e à tarde. Ele contou que de cada três pacotes vendidos recebe R$ 1,00. ?Dá para garantir no final do dia o pão para a minha família?, conta o garoto. Sem estudar, ele confirma que vende porque os pais cobram que leve algum dinheiro para casa. ?Estava estudando, mas a escola estava sem professor, então larguei?, admitiu T.F.S., lembrando que trabalha no sinal desde os nove anos. Já seu colega de sinal, Sebastião José da Silva, 18, completou maior idade trabalhando informalmente. Sem profissão, sua realidade inclui acordar de madrugada para comprar feijão na Ceasa. ?Todo dia saio de madrugada, para as 6h ou 7h está no sinal?, disse. Consciente de que o sinal não lhe garante um futuro, ele reclama da falta de oportunidades. ?Se eu não estiver aqui, vou fazer o quê, se não posso mais ser amparado por nenhum programa de ajuda??, indagou Sebastião. A sua queixa faz sentido. O principal programa do governo federal, o Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) só atende crianças e adolescentes de 7 a 15 anos e 11 meses. Em Maceió 2.500 crianças estão cadastradas e recebem R$ 40,00. Para o representante da Delegacia Regional do Trabalho, José Gomes, a presença das crianças nos sinais integra um ?ciclo absoluto de miséria?. ?Isso só será combatido se contarmos com mais políticas públicas. Quando os poderes municipal e estadual destinarem mais recursos em seus orçamentos para esses programas?, defendeu Gomes. A motorista Lúcia Maria apoiou a campanha e ainda fez uma observação. ?Maceió é uma cidade pequena. Vocês podem resolver essa situação?, disse a motorista aos técnicos envolvidos na campanha.