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Quadrilhas estilizadas causam pol�mica

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CARLA SERQUEIRA Repórter Nunca se viu festa junina sem quadrilha. A brincadeira chegou ao Brasil pelos navios europeus, ainda no período Colonial, e de São Paulo, berço econômico do País, disseminou-se pelas cidades do interior até chegar no Nordeste. Com o passar do tempo, a quadrilha sofreu algumas transformações. ?As bandeirinhas não são mais de papel, mas de plástico. As roupas são compradas nas lojas. Os caipiras de agora são do estilo country?, observa a antropóloga Rita Amaral, especialista em cultura urbana, em entrevista à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Desafio a tradição As mudanças têm desafiado a tradição, segundo o folclorista alagoano, Ranilson França. ?As quadrilhas estão se trasformando em espetáculos e isso têm afastado a dança dos pobres?, opina o estudioso, culpando os meios de comunicação de massa. ?Inventaram que os matutos andam com remendos nas calças, com óculos de uma lente só. A televisão criou esta caricatura?. Evolução Mas para quem dança a quadrilha, a evolução natural das civilizações explica a substituição da xita pelo setim, do chapéu de palha por indumentárias temáticas, e dos simples passos narrados pelas ousadas coreografias. ?Tudo evolui e com as quadrilhas não poderia ser diferente?, disse Wilma Sotero, dançarina há onze anos de quadrilhas ?estilizadas?. ?Ninguém tinha mais paciência de assistir quadrilhas iguais?, diz ela. ?Nas quadrilhas estilizadas, todo ano tem novidade?. A antropóloga Rita Amaral não vê ameaças na nova forma de dançar quadrilha. ?A mudança social faz com que existam espaços para inovações divertidas?, conta ela, ?como a gaydrilha, em que homem dança com homem, ou a sapadrilha, na qual mulher dança com mulher. Isso faz parte, não se trata de algo menos legítimo?, defende. ?As mudanças culturais fazem com que as festas sejam reinterpretadas. Hoje em dia já não é mais uma festa caipira. É uma festa folclórica, uma festa cult?. O folclorista Ranilson França não aprova a idéia. ?Fui assistir uma destas quadrilhas e pensei que a mulher estava tendo um ataque epilético?, brinca, ?os homens pareciam sem-terras, com machados na mão?. ?Para inglês ver? Ranilson França defende as tradições das quadrilhas populares, onde o mais importante não é a aparência da dança, mas o divertimento que ela proporciona aos participantes. ?As festas juninas estão virando atração para inglês vê?, observa. ?Do que adianta uma festa popular onde o povo não pode participar porque não tem dinheiro para comprar a roupa?, questiona. Na tentativa de evitar o sumiço das quadrilhas tradicionais, com ?anarriê? e ?anavantur?, túnel e grande roda, a Secretaria Executiva de Educação organiza o primeiro encontro de quadrilhas nas escolas públicas de Alagoas. São 147 quadrilhas de 350 escolas que vão contar com a participação de 7.500 alunos. As quadrilhas vão homenagear artistas alagoanos importantes para a tradição junina no País, entre eles, João do Pife, Jacinto Silva, Clemilda, Gerson Filho e Florisval Ferreira. As apresentações vão até o dia 30 de junho em todas as escolas estaduais. ### Maceió Forró e Folia começa hoje com quadrilhas e shows No Ginásio Presidente Fernando Collor de Mello, no Trapiche, irão se apresentar 24 quadrilhas, dentro do Maceió Forró e Folia 2005, uma realização da Organização Arnon de Mello em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi), prefeitura de Maceió e governo do Estado. A programação do Maceió Forró e Folia também oferece shows musicais. Entre as principais atrações, Ivaldo Maceió, Geraldo Cardoso, Alcimar Monteiro e Mastruz com Leite fazem show sempre às 22h. Serão 12 dias de muita música e dança. Além das bandas e quadrilhas, trios de forró pé-de-serra vão estar animando os apreciadores das festas juninas, na praça de alimentação nomeada Vila do Forró, onde vão estar sendo comercializadas as comidas típicas. Muita gente de várias cidades de Alagoas já não dorme esperando a hora de se apresentar no Maceió Forró e Folia. Cada quadrilha, em média, é formada por 50 pessoas. Dentre as 24 quadrilhas que vão concorrer, 10 são da capital e 14 do interior. O presidente da Liga das Quadrilhas Juninas de Alagoas, José Cláudio, diz que a falta de patrocínio não é tão sentida nas cidades pequenas. ?Na maioria das vezes, as prefeituras do interior patrocinam todos os gastos das quadrilhas, como transporte, alimentação, figurino?. Já as quadrilhas de Maceió, segundo ele, têm que se virar como pode. José Cláudio contou que cada integrante das quadrilhas maceioenses arca com suas roupas e, às vezes, até com o transporte. Cada quadrilha contrata um trio de forró para acompanhar, não só as apresentações, mas também os ensaios. ?Na maioria, é um contrato de três meses?, afirma José Cláudio. Em média, cada trio, para servir aos grupos nos meses de ensaio e nas competições, cobra R$ 8 mil. Sobre o sumiço dos palhoções e das quadrilhas tradicionais, o presidente da Liga responsabiliza a prefeitura. ?Para montar um palhoção é tanta burocracia... é mais fácil construir uma casa, ironiza. ?Não foram as quadrilhas estilizadas que fizeram desaparecer as tradicionais. Elas acabaram ficando sem espaço físico para se apresentar?, revela, questionando onde foram parar os palhoções e as fogueiras do Prado. ?Tinha quadrilha em quase todas as ruas, hoje, ninguém acha uma?. Diante do declínio das quadrilhas tradicionais, os bairros resolveram criar as suas quadrilhas estilizadas e partir para competições. Antônio Carlos Rodrigues, de 34 anos, tem 11 de quadrilha estilizada. Todos os anos ele dança. ?Só vou deixar de dançar quando morrer. Mesmo se um dia eu estiver numa cadeira de rodas e tiver como eu dançar, eu danço?, disse, opinando sobre a polêmica entre as quadrilhas estilizadas e as tradicionais. ?As tradicionais são mais fáceis de dançar, as estilizadas, mais bonitas. Eu acho que o certo seria ter dois concursos. São duas coisas bem diferentes?, afirma. |CS

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