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Aeroclube batiza a 1� piloto de avi�o
FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter A estudante de Meteorologia Renata Barros Vasconcelos Leirias, 19, sempre gostou de estar nas alturas, por isso nunca teve medo de praticar esportes radicais como o bungee jump. Talvez tenha nascido daí o sonho de se tornar uma piloto de avião comercial. Renata deu o primeiro passo para trilhar esse caminho há uma semana, quando recebeu o batismo pelo seu primeiro vôo solo (sem ajuda de instrutor) num avião monomotor. Uma festa, com direito a banho de óleo de graxa de avião - um ritual tradicional de batismo dos pilotos que dão o seu primeiro vôo solo - bolo confeitado e aviões infláveis de presente. Renata pode ser considerada, nos últimos 20 anos, a primeira mulher a pilotar sozinha um avião em Alagoas. Renata disse que descobriu o ?caminho que deveria seguir?, durante uma viagem a Bariloche, na Argentina, em julho de 2003. A viagem foi um presente que recebeu dos pais ao completar 18 anos. Nessa viagem, Renata conheceu um piloto de monomotor, que começou a lhe falar sobre aviões. ?Com isso, achei que descobri um rumo para minha vida?, conta Renata. A idéia de fazer o curso de piloto foi proposta de sua mãe, a dentista Carmelita Barros Vasconcelos, que lhe impôs uma condição: ela teria que primeiro passar no vestibular. O primeiro desafio para alcançar o sonho de ser piloto foi vencido com a aprovação, em segundo lugar, para o curso de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no final de 2003. Renata não perdeu tempo. Em julho de 2004, ela deu início à parte teórica do curso de piloto do Aeroclube de Maceió. Com duração de cinco meses, o curso é composto por cinco matérias: noções de meteorologia, navegação, aerodinâmica, motores e regulamento de tráfego aéreo. Em novembro, Renata se submeteu a provas no Departamento de Aviação Comercial em Recife (DAC). Depois de aprovada nas provas objetivas, ela se submeteu a uma bateria de exames psicológico e físico, também no DAC no Recife. Vencido mais esse desafio, foi a hora de dar início ao grande sonho: voar. ?Todo mundo achava no início que era brincadeira ou empolgação de adolescente?, conta Renata. Mas, logo a família e os amigos perceberam que ela estava segura do que queria. ?Chegaram até pensar que estava fazendo o curso apenas por interesse em alguém?. Para fazer o curso de piloto, Renata teve que se privar de muitas coisas, já que o custo das aulas de vôo é muito alto (em média R$ 250,00 por hora/aula). Em alguns momentos, Renata confessa que pensou em desistir. ?No começo, ao tirar o avião da pista, cometia alguns erros que me deixavam arrasada?, conta. ?Mas meu instrutor (o sargento da Aeronáutica Mauro Alvim), sempre me dava muita força e não deixava eu desistir?. O esforço valeu a pena. Depois de uma média de 28 horas de vôo, ela pilotou o avião sozinha no dia 4 de junho. Toda a família, com exceção do pai, o psicólogo Lourenço Leirias - que participava de um encontro em Brasília, esteve presente à festa de batismo do vôo solo. Mas, lá estavam a orgulhosa mãe e as avós Cleonice e Maria do Rosário e o irmão Fabiano. Aliás, a avó Maria do Rosário e Fabiano foram os primeiros da família a voarem com Renata. ### Sonho agora é a carteira de piloto privado Renata ainda terá que enfrentar muitos desafios para atingir o sonho de ser piloto de avião comercial. A primeira etapa é obter a carteira de piloto privado. Para isso, ela terá que completar 35 horas de vôo. O instrutor de Renata, o sargento Mauro Alvim, diz que para Renata atingir as 35 horas falta a parte de navegação. Ou seja, fazer vôos mais distantes sozinha. O primeiro deles foi feito na última quarta-feira, para Recife. Dentro do roteiro de viagem de Renata, rumo as 35 horas de vôo, estão também Arapiraca e Penedo. Nesses vôos, Renata será acompanhada pelo instrutor, que passará para ela como enfrentar situações mais difíceis, como pousos noturnos, com ventos. ?Vou jogá-la na fogueira?, disse Mauro Alvim. Tudo isso, com o objetivo de prepará-la para enfrentar situações que poderão ocorrer em momentos de sua carreira como piloto. Com a carteira de piloto privado, Renata poderá começar trilhar o caminho para chegar a piloto comercial. Para isso, ela terá que completar 250 horas de vôo. Nesse caso, todos os vôos que ela fizer depois que conseguir a carteira de piloto privado contarão para atingir essas horas. Depois terá que ter a formação em multimotores, para finalmente almejar a carreira de piloto de linha aérea. Só que antes disso, Renata pretende concluir o curso de Meteorologia. ?A formação de piloto não é considera de nível superior. E tendo o curso superior isso conta 50 pontos a mais na hora de vôos?, salienta Renata. Mauro Alvim explica que até hoje só conhece duas mulheres em Alagoas que conseguiram chegar a piloto linha aérea. Uma delas está trabalhando para uma empresa aérea na França e outra trabalha na TAM. Alvim ressalta que a proporção de mulheres pilotas de linhas aéreas ainda é muito pequena. Ele diz que não sabe o motivo para o desinteresse das mulheres em serem pilotos de avião. ?Não existe qualquer preconceito das companhias aéreas em contratar mulheres como pilotos. Se tiver dois candidatos, e a mulher tiver mais qualificação que o homem, ela será sem dúvida a escolhida?. Até na Aeronáutica, lembra Alvim, já existem mulheres pilotando aviões. Ele acrescenta que hoje já existem mulheres no comando de aeronaves com mais de 300 passageiros. Alvim explica que os cursos para piloto são realizados rotineiramente no Aeroclube de Maceió. Com uma resolução recentemente tomada pelo DAC, não há mais exigência de que os candidatos a piloto precisam fazer um curso de aulas teóricas para fazer as provas objetivas. ?A pessoa pode estudar sozinha, só que é difícil dominar algumas disciplinas como meteorologia, aerodinâmica e outras exigidas sem um acompanhamento?. As provas para piloto privado são realizadas pelo DAC três vezes ao ano: abril, agosto e novembro. |FAS