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Empresa se exime de culpa por morte

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REGINA CARVALHO Repórter Os pais de Maria Mariana Tenório, de 9 anos, pedem justiça e punição para os culpados pela morte da filha, atingida fatalmente, no último sábado, pelo desabamento de parte do palco. A tragédia virou um ?jogo de empurra? entre a Associação Comunitária, a empresa responsável pela montagem da estrutura e a prefeitura de Maceió, que negam responsabilidade pela falha na estrutura. Ainda ontem o palco continuava montado na quadra de esportes do Salvador Lyra, sem qualquer tipo de isolamento, ainda colocando em risco, principalmente a vida de crianças do bairro. ?Estou pedindo justiça e punição das pessoas responsáveis. Está doendo muito. Estou sentindo muita falta da minha filhinha. Ela era muito inteligente e amorosa?, desabafou o pai de Mariana, João Tenório. A polícia já abriu inquérito e começa a ouvir as testemunhas na próxima quinta-feira, na delegacia de Apoio ao Menor. A Associação dos Moradores do bairro Salvador Lyra iria iniciar os festejos juninos no último sábado e para isso tinha contratado a empresa CBN Produções e Eventos Artísticos, para montagem do palco que receberia cinco shows de artistas da terra. ?Tomamos todo o cuidado, por isso contratamos uma empresa. Seguimos todas as recomendações e exigências da prefeitura. Tivemos autorização dela, do Corpo de Bombeiros e da secretaria de Defesa Social?, alegou o 1º secretário da Associação, Marcus Robson Nascimento. Ele nega que a Associação dos Moradores possa ser responsabilizada pela morte da garota. ?Não sei quem é o culpado, só a polícia vai dizer. Lamentamos muito a morte da garota. O presidente da Associação chegou a passar mal quando soube do que aconteceu?, informou Nascimento. O engenheiro civil Carlos Humberto Lopes contratado pela CBN para conceder a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), por sua vez diz que não foi acionado para verificar a montagem do palco. ?Fui contratado, mas não cheguei a ir ao local. Eles nunca ligaram para mim. Soube da tragédia através da imprensa?, disse o engenheiro. O proprietário da CBN, Cristiano Bezerra do Nascimento, também negou que a empresa seja a responsável pelo desabamento. ?A minha empresa é responsável pela contratação de bandas musicais e som. Mas nós também terceirizamos de outra empresa a estrutura do palco?, falou Cristiano Bezerra. Entretanto, o empresário não quis revelar o nome da empresa apontada como responsável pela estrutura. ?Não gostaria de envolver mais nomes?, ressaltou. ?Faltou atenção dOS pais? Como a estrutura do palco ainda estava sendo montada por funcionários da empresa, o proprietário da CBN chegou a culpar os pais por deixarem as crianças brincando no local. ?Tinha um segurança que estava tomando conta do palco e ele pediu várias vezes para as crianças saírem, mas elas não atenderam. Foi uma fatalidade. Como ser humano atribuo o que aconteceu à falta de atenção dos pais?, enfatizou Cristiano do Nascimento. Funcionários da empresa CBN, contratada por R$ 6 mil para realizar o trabalho, começaram a montar a estrutura do palco na manhã de sábado e seria finalizada no final da tarde. ?Não tem mais clima para festa, por isso resolvemos suspender?, disse o 1º secretário da Associação Comunitária. PLACA DE 100 QUILOS Por volta das 13 horas, Maria Mariana brincava com mais três amigas em cima do palco. A bola caiu e ela se ofereceu para buscar. Quando estava embaixo da estrutura, uma placa de ferro, de mais de 100 quilos, desabou e atingiu a cabeça e a coluna da garota. ?Eu tinha dito poucos minutos antes para ela voltar para casa, mas a minha filha continuou brincando. Foi muito rápido. Ouviram os gritos dela e ouvi quando uma vizinha falou o nome dela. Quando corri ela já estava morta. Metade de mim foi embora naquele dia. Poucos minutos antes ela pediu um abraço ao irmão?, lembrou a mãe de Mariana, Nadja Tenório, que mora a aproximadamente 30 metros do local onde houve a tragédia, em frente à quadra. ?Não consigo nem mesmo abrir a porta de casa?, disse. Mariana era a caçula e tinha mais dois irmãos: Tiago, de 20 anos e Bruno, de 14. ?Estou buscando a Deus todas as horas para superar essa dor. Ela era muito especial?, lamentou a mãe de Mariana.

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