Cidades
Protesto contra a paralisa��o do projeto
FERNANDO VINÍCIUS Repórter Penedo - Pequenos agricultores da região do Baixo São Francisco protestaram ontem, em Penedo, contra a demora na conclusão do Projeto Várzea da Marituba, uma Área de Proteção Ambiental (APA), com programas de agricultura, piscicultura e irrigação, localizada 22 km de Penedo. Implantado pelo governo federal há mais de vinte anos como promessa de redenção para a região, até hoje o projeto não foi concluído e vários outros estão parados ou abandonados. Mais de três mil hectares de terras consideradas irrigáveis não produzem por falta de investimentos. A manifestação ocorreu em frente à sede da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). PROMESSA A promessa de benefício direto para 3.130 pessoas, além de outras 6.260 favorecidas indiretamente, ficou no papel. Obra inacabada do governo federal, o Projeto Marituba precisa de investimentos da ordem de R$ 100 milhões para terminar os serviços de engenharia. Também é indispensável o repasse de mais R$ 100 milhões para oferecer assistência técnica e estudos de mercado aos pequenos irrigantes, famílias que vivem em regime de agricultura familiar. Cansados de esperar, muitos colonos venderam seus lotes e os que ainda persistem plantam milho, feijão e arroz para sobreviver. Algumas intervenções feitas, como a construção de barramentos para contenção de eventuais cheias, estão prejudicando até o que ainda pode ser produzido no local. ?As chuvas deixam as áreas de plantio alagadas, causando perda para os pequenos irrigantes. A conclusão do projeto é fundamental para a sobrevivência dessas comunidades que sabiam trabalhar na várzea antes do projeto ser implantado?, explica Antenor Nerys, diretor da Central das Organizações de Agricultura Familiar do Baixo São Francisco, entidade organizadora da manifestação. O Projeto Marituba abrange 3.571 hectares irrigáveis destinados para pequenos agricultores e grandes empresas. Dividido em setores, somente um deles pode ser considerado pronto, ainda carente de rede elétrica. ?O governo Lula não cumpre a promessa de concluir projetos existentes na bacia do São Francisco antes de iniciar as obras de transposição?, ressalta Nerys. PARCERIA À VISTA ?O futuro do Projeto Marituba depende do governo federal?, justifica o superintendente da Codevasf em Alagoas, Antônio Nélson de Azevedo. Ele disse que terá uma reunião com os agricultores hoje de manhã e informou que há uma proposta feita pelo Grupo Toledo, fundamentada nos critérios das Parcerias Público Privadas (PPPs), sendo analisada em Brasília. PANTANAL ALAGOANO A Várzea da Marituba tem um total 8.600 hectares e exibe diferentes ecossistemas, como rios, restingas, estuários e lagoas conectados uns aos outros. Um verdadeiro berçário natural para dezenas de espécies de peixes, aves, répteis e mamíferos, também conhecido como o ?pantanal alagoano?. Nos últimos anos, o avanço desordenado das plantações de cana-de-açúcar e a construção de barragens no Rio São Francisco vêm impedindo o fenômeno das cheias - fundamental para a reprodução dos peixes - e destruindo as matas ciliares que margeam o complexo ecossistema. Além de uma perda ambiental incalculável, que leva à diminuição e até à extinção de espécies da fauna e da flora local, comunidades e povoados situados na APA sofrem com a degradação que ameaça as culturas nativas de subsistência, como a pesca e o artesanato com a palha do ouricuri. Tendo os rios Piauí e Marituba como principais vetores de formação, o grande brejo avança pelos municípios de Penedo, Piaçabuçu e Feliz Deserto em uma área de 190km².