Cidades
Ceal e moradores abrem guerra da luz
CARLA SERQUEIRA Repórter Moradores da favela Sururu de Capote estão revoltados. Ontem à noite eles bloquearam as duas avenidas do Dique Estrada em protesto. Desde domingo, dia 12, parte dos barracos está sem energia elétrica. Os galhos de uma árvore romperam um fio que fornecia a eletricidade e até a noite de ontem a situação não havia sido normalizada. A maior preocupação dos moradores é com o sururu que pescam na Lagoa Mundaú. Sem congelamento, o pescado apodrece em pouco tempo. A Companhia Energética de Alagoas (Ceal) informou que ?não tem a menor possibilidade de religar a fiação?, alegando não poder favorecer a clandestinidade. O líder comunitário Ednelson Cordeiro dos Santos disse que já vem dialogando com a Ceal há alguns dias, mas nenhuma medida foi tomada. ?Moramos aqui, mas somos trabalhadores. Tem criança que precisa tomar nebulização e não tem energia para o tratamento?, afirma, questionando o posicionamento da Ceal. ?Há 15 anos esta favela existe e a Ceal sempre soube que a energia era clandestina e nunca fez nada, porque agora não quer vir ligar??. Por telefone, o gerente de Operação e Distribuição da Ceal, José Claudino da Silva, respondeu que havia duas situações: ?Primeiro, aquela região é muito perigosa e se fôssemos desmanchar as ligações clandestinas, mesmo com a polícia, seríamos colocados para correr?, justifica. ?Agora a situação é outra. Não vamos voltar lá e colaborar com o roubo de energia?, defende Claudino, lembrando os perigos que os próprios moradores correm com as ligações clandestinas. ?A qualquer momento pode morrer alguém. Só dos casos que eu recordo, três pessoas morreram eletrocutadas na favela?. Na tentativa de religar a energia, um morador levou um choque e caiu no asfalto. Jaime Maurício Mendes, de 36 anos, quebrou o braço em três lugares e vai precisar usar platina. Outra liderança comunitária, Vânia Teixeira, disse que, caso a Ceal não apareça para religar os fios, hoje, a partir das 13h, as avenidas do Dique Estrada serão, de novo, bloqueadas pelos moradores. Segundo ela, 200 metros de fio e outros materiais elétricos já foram adquiridos. ?A ceal só precisa vir ligar, só isso?. Até o fechamento desta edição, as ruas continuavam bloqueadas. Policiais militares acompanhavam a manifestação para evitar confrontos com motoristas.