Cidades
MP denuncia alta evas�o escolar em AL
MARCOS RODRIGUES Repórter O combate à evasão escolar continua uma das principais bandeiras do Núcleo de Defesa dos Direitos da Infância e da Juventude, do Ministério Público Estadual (MPE). Os números, em todo o Estado, de acordo com o MPE, confirmam uma triste realidade: 40% das crianças com idade para o ensino fundamental continuam sem o direito à educação, por negligência ou abandono da escola. Segundo o promotor de Justiça, Ubirajara Ramos, que integra o núcleo da criança e do adolescente, o índice de crianças fora da escola é alto. ?O índice de crianças em idade escolar fora da sala de aula ainda é muito grande. Analisando por baixo beira os 40% em Alagoas?, reconhece Ubirajara. Diante desta realidade, a atuação do Ministério Público tem sido a de cobrar políticas de valorização da educação e do professor, a fim de tornar a escola num espaço de convivência. ?É um problema que envolve outros problemas. Por isso, reconhecemos a necessidade de reciclagem e capacitação dos professores?, completou Ubirajara. Escola sedutora Para o promotor que coordena o - Projeto Ficai - o espaço da escola também merece uma atenção dos professores e do poder público. Ubirajara avalia que se o ambiente escolar conseguir ?seduzir? as crianças, é possível que isso contribua para a queda no abandono. ?Refiro-me também a implantação de atividades que envolvam esporte, lazer e cultura?, sugere o promotor. Mas o maior desafio, segundo Ubirajra, é conseguir combater as causas sociais. Ele lembra que os números levantados pelo MP mostram que nas regiões que têm tradição em culturas sazonais (produção temporária, como a cana de-açúcar). O projeto conta com a participação de representantes da sociedade civil, por meio dos Conselhos Municipais e, principalmente, dos representantes das secretarias municipal e estadual de Educação. Desde 2001, quando foi eleborado um documento com dados sobre o foco do projeto, o Ficai já conseguiu avanços. Até hoje 16 municípios estão sendo acompanhados, mas até o fim do ano 28 deverão ser incluídos. ?Nesse período, reduzimos a evasão em Boca da Mata e no Benedito Bentes?, destacou Ubirajara. ### Projeto quer reduzir abandono escolar O problema da evasão escolar, ou seja, a desistência dos alunos matriculados, é maior nas áreas com culturas sazonais. É o caso do vizinho Rio Largo, que tem como alternativa econômica a produção da cana-de-açúcar. Nesse município, em 2004, foram matriculados 1. 717 alunos no ensino fundamental. Desse total, 7,8% não concluíram o ano letivo. Dos que concluíram, 0,98% foram reprovados. O índice de evasão no município é um dos maiores de Alagoas. Tanto é que a Secretaria Estadual de Educação (SEE), por meio da Coordenadoria da 12ª, realizou, ontem, uma reunião com representantes da comunidade e técnicos da secretaria para tirar da inércia o Projeto Ficai. A escola escolhida para o encontro, Fernandina Malta, também vive o problema da desistência. Com capacidade para 2.040 alunos, ela conta com pouco mais de 1.000 com freqüência regular. A diretora adjunta da escola, Rosângela Ferreira da Silva, confirmou que os estudantes do período noturno ajudam a completar os números da evasão. ?O principal é a necessidade de trabalhar. Mas, além disso, tem aquele aluno que se matricula apenas para conseguir a carteira estudantil?, revelou Rosângela. Atraso Como o problema vem crescendo e expondo a unidade e o município, a 12ª coordenaria tenta tirar o atraso e correr atrás do prejuízo. Ontem, o coordenador Hélvio Soares, há quatro meses no cargo, garantiu que até o final do ano os percentuais da evasão sofrerão alteração. A área de atuação da coordenadoria envolve os municípios de Coqueiro Seco, Satuba, Rio Largo, Novo Lino e Pilar. Juntos, os municípios são responsáveis por uma evasão que já ultrapassa os 15%. Ainda assim o objetivo é reduzir a evasão para 3%. ?O projeto aqui começou no ano passado, mas agora vamos dar um incremento?, disse o coordenador-professor Hélvio.|MR