loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Favela desafia Ceal e garante religar energia clandestina

Ouvir
Compartilhar

CARLA SERQUEIRA Repórter O embate entre os moradores da favela Sururu de Capote, no Dique Estrada, e a Companhia Energética de Alagoas (Ceal) continua. Uma parte da comunidade está sem energia desde domingo, dia 12, quando um fio que fornecia a eletricidade para os barracos foi rompido por galhos de uma árvore. A Ceal afirma que a energia é roubada e que não vai religá-la. Os moradores desafiam a companhia e dizem que vão, eles mesmos, instalar o ?gato?. Cerca de dois mil barracos formam a favela Sururu de Capote. Mais de cem ligações clandestinas colocam em risco a vida dos moradores que vivem sob barracos de lona, papelão e madeira, materiais altamente inflamáveis. Cada ligação distribui energia para 50 casebres. A maioria das famílias sobrevive da venda de sururu. O pescado não pode ficar sem refrigeração. Com a falta de energia, os moradores estão comprando gelo e armazenando a mercadoria em caixas de isopor. Alguns barracos estão puxando a eletricidade de outros, aumentando ainda mais o risco de curto-circuitos na região. ?Não queremos ligar porque o risco de morte é grande?, conta o líder comunitário Ednelson Cordeiro dos Santos, pai de uma criança de cinco meses que precisa tomar nebulização todos os dias. ?Com medo do aparelho queimar, levei para a casa da minha cunhada, no Vergel, onde toda manhã levo a menina para tomar o medicamento?, diz. Histórias de equipamentos queimados não faltam na favela. Na casa de Ana Cristina Cordeiro de Lima, 30, uma televisão e um aparelho de som já foram queimados. ?Se fosse época de eleição, alguém já teria vindo resolver isso aqui?, reclama. A ex-menina de rua Vânia Teixeira é hoje uma líder comunitária e trabalha na recuperação de menores abandonados. A televisão e o DVD que ela utiliza para realizar palestras sobre drogas também queimaram com a queda de energia. ?Não vamos esperar por Ceal, nós vamos dar um jeito de religar a energia. Conheço um ex-funcionário da Ceal que vai nos ajudar?, disse. O gerente de Operação e Distribuição da Ceal, José Claudino da Silva, afirmou que a posição da empresa é a mesma. ?Não vamos religar os fios?. Segundo ele, se as casas fossem de alvenaria poderia se pensar em uma solução para o problema, mas como são de lona e papelão, a possibilidade é descartada. ?Nosso papel é fornecer energia e não condições habitacionais?, resume José Claudino. ?Todas as vezes que fomos lá para desligar os ?gatos? fomos recebidos a pedradas?. O gerente da Ceal disse ainda que o combate às ligações clandestinas são permanentes. ?Temos 17 equipes trabalhando em campo?, diz, explicando que existe na empresa o kit baixa renda, uma promoção para famílias que não têm condições de regularizar o fornecimento. O kit custa em torno de R$ 150. ?Mas só instalamos em casas de alvenaria. O caso da favela é ausência de poder público?, afirmou.

Relacionadas