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Morte e acidentes aumentam corte e poda de �rvores

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REGINA CARVALHO Repórter Fatalidade ou tragédia anunciada? O vendedor Sandro Costa Cavalcante, 29 anos, teve morte instantânea depois que uma árvore caiu sobre seu carro, no dia 14 deste mês. Assim como essa, outras árvores podem desabar a qualquer momento em Maceió, como reconhece o Corpo de Bombeiros (CB), a exemplo do que ocorreu no Tabuleiro do Martins. Curiosamente, a queda dessa árvore não foi registrada, no CB, como causa do falecimento do vendedor. Um acidente de trânsito, segundo relatório do CB, ocasionou a morte de Sandro. Esse foi o único caso de desabamento de árvore que fez vítima fatal, de acordo com a corporação. ?No mesmo local onde houve o acidente, outras árvores podem cair?, alertou o major do CB, Ananias André da Silva, referindo-se à BR-104, no Tabuleiro do Martins. Somente neste ano, o CB registrou a queda de 15 árvores em Maceió, 40% delas no mês de maio, em decorrência da forte chuva e ventos. Nesse mesmo período, cerca de 84 denúncias foram feitas à corporação e pedem o corte de árvores. ?Quando a população faz a denúncia, nós repassamos à Secretaria Municipal de Meio Ambiente que faz o parecer técnico e determina se a poda resolve o problema ou se é preciso haver corte. Na verdade, os homens do CB atuam apenas quando há uma emergência?, declarou o major Ananias. Corte No ano passado, o Corpo de Bombeiros foi responsável pelo corte de 67 árvores que ameaçavam desabar em Maceió. Entretanto, mais 25 caíram espontaneamente. ?Talvez elas caiam porque são velhas ou mesmo não tenham resistência para suportar o vento forte?, acrescentou o major do Corpo de Bombeiros. Enquanto somente no mês de maio deste ano, seis árvores caíram em Maceió, no mesmo período do ano passado não houve registro de queda. Dados do CB,deste ano, apontam que em janeiro caíram quatro árvores; fevereiro duas; março duas e em abril uma. ?Sem dúvida essas quedas têm ligação direta com o inverno, por causa do vento forte ou chuva?, declarou o major. Quando detectado o problema, o CB pede que uma vistoria seja feita pela Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma). Durante o acidente que matou o vendedor Sandro, homens da corporação que fizeram o resgate da vítima constataram que outras árvores na BR-104, no Tabuleiro do Martins, também ameaçam cair. O 1º tenente do Corpo de Bombeiros, Wellington Santos, relatou que, em 21 anos de atuação no CB, nunca soube que uma queda de árvore provocasse óbito, ou mesmo vítimas não fatais em Maceió. ?Acontecem sempre danos materiais. Nunca houve um caso como esse que ocorreu. Nesses casos, é muito difícil apontar culpados?, informou o tenente. ### Acidente com árvores cresce no inverno A população de Maceió presenciou queda de diversas árvores, quando foram contabilizadas sempre perdas materiais. Esse é o exemplo de um acidente no mês de abril deste ano, quando uma caiu sobre um muro da Escola Estadual Afrânio Lages, no Centro de Pesquisas Aplicadas (Cepa), no bairro do Farol. Nesse caso a árvore danificou o telhado da biblioteca da escola. Em julho de 2002, três árvores caíram em Maceió e por pouco não fizeram vítimas. Uma delas, na Ladeira Geraldo Melo (da antiga Rodoviária), no Farol, obrigou motoristas a trafegarem pela contramão, aumentando o risco de acidente. No mesmo dia, na Levada, uma árvore caiu na Praça das Graças e arrastou um poste da rede elétrica, deixando o bairro sem energia durante o jogo do Brasil e Alemanha, pela Copa do Mundo. Nesse mesmo período, uma casa próxima da Bomba do Gonzaga, no Tabuleiro, foi atingida por uma árvore e destruída parcialmente. Identificada a árvore que pode desabar, o CB faz o corte com motosserra e a prefeitura, o recolhimento. O 1º tenente do Corpo de Bombeiros, Wellington Santos, ressalta o perigo do desabamento de árvores durante o inverno e analisa que ?não há como identificar, apenas olhando, se uma árvore está para cair?. Ele sugeriu ainda que deveria ser feito um estudo sobre as árvores distribuídas, principalmente na capital. ?Deviam verificar se o solo suporta a árvore ou se ela pode ficar ali, já que os ventos são fortes e podem provocar o desabamento?, acrescentou o tenente. O major do CB Ananias André ressaltou que além do problema das árvores que ficam nos canteiros do Tabuleiro do Martins, aquelas do acostamento também podem desabar. Mozart Amaral, superintendente da Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo (Somurb), informou que o órgão é responsável pela poda da árvore. Entretanto para fazer a poda ou corte é preciso a autorização da Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma). Para Ricardo Ramalho, titular da Sempma, a morte de Sandro Costa foi uma fatalidade. Ele afirmou que não pode condenar todas as árvores. ?Vários fatores podem acarretar na queda, como as condições do tempo e o encharcamento do solo?, destacou. RC ### Ceal reclama de prejuízo à rede elétrica O secretário municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma), Ricardo Ramalho, admite que algumas árvores podem não se adaptar bem em determinadas localidades. ?As condições do tempo e pouca longevidade podem levar ao enfraquecimento das árvores?, disse. Ele reforça ainda que algumas são exóticas, oriundas de outras regiões e podem não se adequar bem ao solo nordestino. Prejuízos O presidente da Ceal, Joaquim Brito, ressaltou os prejuízos da companhia por causa da falta de fiscalização com poda e corte das árvores da capital. ?É uma situação complicada, porque para a Ceal fazer a poda tem que haver concordância da Sempma e, em calçadas, a autorização do morador. É preciso que haja um consenso?, informou Brito. De acordo com ele, a incidência de danos na rede elétrica por galhos das árvores é grande. ?No inverno a incidência de problemas é bem maior. Muitas vezes quebra cabo, postes e provoca defeitos intensos. O vento forte atinge os fios?, destacou Joaquim Brito. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) tem responsabilidade para fiscalizar e autorizar a derrubada de árvores em estradas federais e o Instituto de Meio Ambiente (IMA), nas rodovias estaduais. Porém, a responsabilidade pelas árvores da cidade é do poder municipal. Fiscalização O vereador Marcelo Malta (PC do B) pediu à Coordenação do Departamento Nacional de Infra-estrutura e Transportes (DNIT) para que árvores da BR-104, no trecho entre a Polícia Rodoviária Federal e o Aeroporto Zumbi dos Palmares sejam podadas. ?Acho que fatalidades existem, mas nem tudo pode ser colocado como fatalidade. Tem certas ações onde existem omissão do poder público ou burocracia?, disse o vereador, referindo-se à trágica morte do vendedor Sandro Costa, que teve seu carro atingido por uma árvore. Ele acrescentou que já obteve informações que existem árvores em rodovias federais condenadas, podendo desabar a qualquer momento. ?Tivemos denúncia de que desde novembro as palhas dos coqueiros da orla não são podadas?, informou Malta. Segundo ele, a prefeitura deveria organizar uma campanha educativa. ?Não podemos aceitar o argumento de fatalidade?, concluiu |RC

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