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No Pilar, a foz do Para�ba � Rio Morto

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter O complexo estuarino lagunar Mundaú-Manguaba é um dos mais importantes do País, abrangendo, diretamente, sete municípios alagoanos: Maceió, Rio Largo, Satuba, Santa Luzia do Norte e Coqueiro Seco, no entorno da Lagoa Mundaú; e Marechal Deodoro e Pilar, nas margens da Lagoa Manguaba. Desse complexo dependem, diretamente, mais de 5 mil famílias de pescadores, das quais mil estão no município do Pilar, onde o rio Paraíba deságua na Lagoa Manguaba. Nesse encontro, outrora vigoroso e cheio de vida, hoje o nível de poluição e degradação ambiental é tanto que a foz do Paraíba é conhecida como ?Rio Morto? pelos moradores e pescadores da região. ?Há dez anos eu tomava banho aqui. Minha mãe não gostava, porque era muito fundo?, diz o pescador Antônio Marcos Procópio. Hoje é apenas um alagado raso. A sujeira acumulada no encontro do rio com a lagoa foi aumentando e sedimentando ao longo dos anos. Assoreamento A foz foi assoreada até que fechou. Onde era rio, hoje é um enorme lamaçal; a vegetação cresceu e a área é aproveitada para a criação de gado e outros animais. O rio teve que procurar outro caminho, por onde passa estreito e intimidado. A poucos metros, com a anuência do poder público, a população oferece à lagoa outra fonte de poluição: o matadouro da cidade tem vazão direta para a lagoa, onde são despejados o sangue e as vísceras dos animais abatidos, quase diariamente. Também ficam nas margens da lagoa duas salgueiras. De lá, a água de limpeza e salgamento do couro dos bois se mistura livremente com as águas da Manguaba. Esgoto a céu aberto Andando pelas ruas do Pilar, não é difícil entender a situação crítica a que chegou o complexo lagunar. Vários canais e bueiros cortam a cidade, recolhendo o esgoto das residências. O destino final é um só. ?Tudo de ruim despeja na lagoa?, lamenta Josué Félix, presidente da Colônia de Pescadores. Na sua avaliação, hoje o homem polui mais do que a indústria. ?Até que há preocupação da prefeitura, mas falta consciência ambiental. As pessoas enchem a sacola de lixo e, ao invés de esperar a coleta, jogam no leito do rio ou diretamente na lagoa?, diz ele. educação ambiental Pilar é apenas uma referência do que acontece em todos os municípios, sem exceção. ?Falta educação ambiental. Tem que haver um mutirão, uma ação de impacto com a participação da prefeitura e da sociedade, para despertar a população?, defende o pescador Marcos Procópio. De fato, mesmo olhando para o ?Rio Morto?, as pessoas parecem não absorver a mensagem de que a natureza está morrendo. Até porque, apesar da degradação, a ?Mãe-Guaba? ainda garante aos filhos ingratos a média de uma tonelada de peixe, diariamente.

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