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Lagoas recebem lixo e esgotos de 260 mil habitantes

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter A ocupação desordenada das regiões ribeirinhas está entre os principais fatores que contribuem, até hoje, para aumentar os níveis de poluição e degradação do complexo estuarino lagunar Mundaú-Manguaba. Calcula-se que cerca de 260 mil pessoas habitam as margens das duas lagoas. Somam-se a elas as populações ribeirinhas de pelo menos 30 municípios que cresceram ao longo do trajeto dos rios Mundaú e Paraíba do Meio, que descem arrastando lixo e esgoto dessas comunidades até as lagoas. Nenhum desses municípios tem uma rede de saneamento básico em funcionamento, e nenhum tem definida uma política de tratamento e destino final do lixo urbano. O ordenamento territorial é, portanto, um dos caminhos a ser percorridos, junto com outras situações de remediação e preservação do meio ambiente, propostos no Plano de Ações e Gestão Integrada do Complexo, que vem sendo trabalhado desde outubro do ano passado. Mas certamente é, também, a solução mais cara, já que teria de trabalhar a remoção de famílias que ocupam irregularmente as áreas ribeirinhas, o que demandaria uma série de questões sociais. No paralelo, como intervenções mais urgentes, o mais provável é investir em educação ambiental, na regularização das situações consolidadas no campo habitacional, e em fiscalização para fazer estancar processo de ocupação irregular. Tudo isso sem perder de vista a necessidade de saneamento de todas essas cidades que margeiam os rios e lagoas, abortando, no nascedouro, os principais agentes poluidores. Os levantamentos feitos até agora, dentro do calendário de ações para a recuperação do Complexo, mostram que a maioria desses municípios ribeirinhos tem projetos de saneamento prontos, alguns em andamento, já em fase final de estruturação; outros à espera de recursos. Segundo o Secretário Executivo de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Ronaldo Lopes, nos vales do Mundaú e do Paraíba, pelo menos onze municípios estão com execução de obras de saneamento, e quatro podem colocar o sistema em operação ainda este ano. Todos esses estudos compõem um diagnóstico e integram uma espécie de banco de projetos, recomendações e propostas a ser implementadas para promover a recuperação do Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba.

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