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Pai de Mariana vai acionar Justi�a contra prefeitura

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter O pai da menina Maria Mariana Tenório, 9 (que morreu esmagada por uma placa de metal que desabou da estrutura de um palco, no Conjunto Salvador Lyra) João Tenório, vai argüir na Justiça a responsabilidade da Prefeitura de Maceió sobre o acidente. Ontem ele conversou, pela primeira vez, na Delegacia de Crimes Contra a Criança que investiga o caso, com o empresário Cristiano Bezerra, proprietário da empresa de eventos CBN, responsável pelo aluguel do palco. Foi um encontro tenso, acompanhado dos advogados de ambos. A iniciativa foi de Cristiano, ao deixar a sala da delegada Ana Nogueira, onde prestou depoimento. Na sala de espera, estava João Tenório, o pai. ?A minha dor é muito grande. Mas não guardo mágoas. Eu quero que Deus te proteja?, disse Tenório, apertando a mão de Cristiano. ?Eu fiz questão de falar com ele, porque também estou sofrendo com essa situação. Tenho dois filhos, família?, disse Cristiano. Ele confessou que desde o acidente, ocorrido no dia 11 deste mês, passou a andar com seguranças, temendo por sua integridade física, porque sua imagem passou a ser vista de forma distorcida. Em seu depoimento, o proprietário da CBN repetiu o que já havia falado à Gazeta. Que a sua empresa trabalha com eventos, que foi contratada para realizar as festividades juninas da Associação Comunitária do Salvador Lyra e que entre suas atribuições está a contratação dos shows e o aluguel do palco. Como esses serviços são terceirizados, ele diz que não pode ser responsabilizado pelo acidente. O palco, segundo Cristiano, foi alugado da empresa HT Campos, com quem trabalha há mais de dois anos e com a qual, segundo ele, nunca teve problemas. Ele não atribui a ninguém a responsabilidade pelo que aconteceu, mas segundo o seu advogado, Francisco Sales, ?se existe culpado, é quem montou o palco, e equipe de engenharia?. Para Cristiano, o acidente foi uma fatalidade. ### Delegada não isenta empresa de culpa Para a delegada Ana Luiza Nogueira, que preside o inquérito, a CBN, com quem a Associação firmou o contrato, até o momento figura como a responsável pelo acidente, e isso só muda se ficar comprovado, documentalmente, que houve a terceirização da montagem do palco, com as responsabilidades estabelecidas em contrato. Se houve dolo, ou não, só a conclusão do inquérito, que deve acontecer até o próximo dia 13, dirá. E a base para qualquer conclusão são os depoimentos que estão sendo tomados, e o laudo pericial, feito no local do acidente, que ainda não foi entregue à delegada. Ontem, além do empresário Cristiano Bezerra, ela ouviu as testemunhas presenciais do acidente: Pedro Henrique da Silva e Thiago da Silva. A delegada não sabe quantos depoimentos mais terá que colher, mas confirmou que vai intimar o empresário Lucimário José, da HT Campos, e o engenheiro Carlos Humberto Pereira Lopes, apontado como responsável técnico pela montagem do palco. A delegada não opinou sobre a pretensão da família de Mariana de acionar a Justiça contra a Prefeitura de Maceió. Apenas reconheceu que é um direito, e explicou que sua área não envolve essa situação, cujo caminho seria o cível. Para o pai de Mariana, cobrar responsabilidades de quem quer que seja é uma maneira de evitar que acidentes como esse continuem ocorrendo. ?A vida da minha filha ninguém vai devolver, mas a dor que sinto, não quero para ninguém. Infelizmente, foi preciso acontecer essa tragédia para que muitas irregularidades começassem a aparecer em outros palcos?, lamentou João Tenório. Quanto à responsabilidade da prefeitura, ele destaca que o município tem órgãos fiscalizadores cuja obrigação é verificar essas obras. ?Eles dizem que só autorizaram a utilização do espaço, mas tinham que fiscalizar, ver se estavam sendo cumpridas as normas de segurança, se havia responsabilidade técnica, senão é como dar um carro a quem não sabe dirigir?, comparou, lembrando que qualquer barraco, a prefeitura manda derrubar, ?agora um palco, colocando em risco a vida de muita gente, ninguém fiscaliza?. O caso Mariana, 9, brincava com amigas próximo à sua casa e morreu quando tentava pegar uma bola e foi atingida por uma placa de metal que desabou do palco. Testemunhas afirmaram que a fragilidade da estrutura, ainda em fase de montagem, e os riscos que representava, já haviam sido percebidos e alertados por algumas pessoas, mas não foi colocado no local nenhum sinal ou sistema de isolamento para evitar acidentes.|FA

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