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Ambulantes resistem � transfer�ncia

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FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter Os ambulantes do Centro não ficaram nada satisfeitos com a determinação da prefeitura de transferi-los nesta segunda-feira das ruas do comércio, onde parte das obras de requalificação já foi concluída para um trecho da Rua Moreira e Silva. O presidente da Associação dos Ambulantes e Prestamistas do Centro, Laércio Lira, já avisou que os ambulantes não vão cumprir com a determinação. ?Estamos de acordo com o remanejamento, mas não vamos permitir que ele seja feito de forma aleatória, sem uma comunicação prévia aos ambulantes?, comentou Laércio. ?Isso pode ser feito na terça, na quarta, mas não na segunda?. Para Laércio, tem que haver um critério para essa transferência, adotando o sorteio, para que não haja privilegiados. Ele acrescenta que a colocação de todos na Rua Moreira e Silva pode gerar ainda mais confusão com os lojistas. Apesar da resistência dos ambulantes, o superintendente municipal de Controle e Convívio Urbano, Ednaldo Marques, afirmou que vai fazer cumprir a determinação de transferir os ambulantes nesta segunda-feira. ?Não podemos ficar refém de uma pequena parte da sociedade?. Com a transferência, os ambulantes da Rua do Comércio, Boa Vista e Livramento serão colocados em fila dupla num trecho da Rua Moreira e Silva. Ele alegou que a transferência dos ambulantes dessas ruas é necessária por questões técnicas, já que as obras de requalificação estão numa fase onde há necessidade de ocupação da área. Segundo Marques, os ambulantes transferidos não deverão voltar mais para os calçadões. ?Eles terão à disposição dois estacionamentos na Praça da Faculdade?. Por enquanto, ainda não há previsão de quanto os dois estacionamentos estarão adaptados para receber os ambulantes. Nos dois estacionamentos serão colocados 330 ambulantes. Apenas os 192 já cadastrados pela Associação da categoria têm lugar garantido. Ainda não foram estabelecidos os critérios para as vagas restantes. Segundo o superintendente da SMCCU, Ednaldo Marques, um dos problemas enfrentados pela prefeitura é que não havia previsão no orçamento para a obra, estimada em cerca de R$ 200 mil. ?Esses recursos deveriam ter sido incluídos no orçamento pela gestão passada, pois já estava previsto no projeto de requalificação a retirada dos ambulantes do Centro?. De acordo com Ednaldo Marques, a Secretaria Municipal da Indústria e Comércio é a responsável pela execução nas obras do estacionamento. ?À SMCCU cabe fazer o controle e disciplinamento do uso do solo urbano?. ### Ruim para quem vai; pior ainda para quem está lá O superintendente municipal de Controle e Convívio Urbano, Ednaldo Marques, afirma que o projeto de requalificação do Centro visa transforma o comércio num shopping a céu aberto. Por meio de uma emenda no Orçamento Geral da União, apresentada pelo deputado federal Givaldo Carimbão (PSB), foram garantidos a liberação de mais R$ 3 milhões para continuação da obra, iniciada no ano passado. ?Para este ano, foram incluídos R$ 12 milhões para o projeto de requalificação do Centro?. Tanto os ambulantes que serão transferidos para a Rua Moreira e Silva, como os que já trabalham na área, não ficaram nada satisfeitos com a decisão da SMCCU. O ambulante José Teodoro Félix tem uma barraca de vendas de CD na Rua do Livramento, há mais de 10 anos. Segundo ele, a prefeitura poderia organizar, no próprio comércio, os 192 ambulantes que já são cadastrados. Ele disse que a própria prefeitura é responsável pela ocupação desordenada de ambulantes no Centro. ?Isso prejudica não só os lojistas, como os próprios ambulantes?. Teodoro disse ainda que não há espaço suficiente para abrigar todos os ambulantes na Moreira e Silva e nem mesmo nos dois estacionamentos locados pela prefeitura. ?Vai ser muito complicado, ali não cabe mais ninguém. Se até agora a prefeitura fez a obra à noite, por que na fase de acabamento não pode fazer o mesmo?? Para Teodoro, as mudanças só vão prejudicar os camelôs. ?Se a gente passar dois dias sem vender, a gente passa fome?, argumenta. O ambulante Maciel Luz, que há pouco mais de um ano tem uma banca de relógios no final da Rua do Comércio, disse que a transferência vai ser ruim para todo mundo. ?Vai ser ruim para quem vai ser transferido e para quem já está lá?. Já a boleira Leni Dias da Silva está mais tranqüila. Ela disse que as 12 boleiras instaladas ao lado da Igreja do Livramento, no final da Rua Boa Vista, não serão atingidas pela transferência. ?A gente foi contemplada no projeto de requalificação?. Há três anos, as boleiras estão instaladas ao lado da Igreja do Livramento, depois do fracasso da transferência delas para barracas padronizadas na Praça do Montepio, também situada no Centro da cidade. Leni diz que não tem o que reclamar da atual localização. ?Aqui já ficou conhecido como beco do bolo e das castanhas?. |FA

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