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Na rua, ele pensa em comer e luta para n�o morrer

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MARCOS RODRIGUES Repórter A Gazeta ouviu algumas histórias de quem vive um dia de cada vez pelas ruas de Maceió. Sempre ao relento, mas segundo os próprios meninos, num clima melhor que o de suas casas, encontra-se Carlos, 21, (nome simbólico). Ele completou maioridade na rua. Com referência familiar, ele conta que um de seus dois filhos morreu por falta de atendimento médico-hospitalar. Com olhar congelado, depois de um dia cheirando cola, o rapaz ficou calado ao ser indagado sobre o que ele pensava do futuro. Sem esboçar reação, as palavras pareciam não ter sentido: ?Aqui ninguém pensa nisso. O negócio é saber se vai comer, dormir e ficar ligado pra não morrer, entendeu??. Ele é uma espécie de líder frente aos demais companheiros. Fala com os olhos. A entrevista somente se tornou viável depois que ele autorizou os garotos a falarem. A condição para que os demais falassem foi ele contar a sua história de vida primeiro. Antes, avisou: ?Se precisar me filmar eu só quero aparecer de costas?. Como é o seu dia? - Quando levanto penso logo onde vamos conseguir comida. Na Ceasa [Central de Abastecimento] é o melhor lugar, de manhã. No almoço tem um restaurante na Avenida da Praia [Avenida da Paz] que a gente se vira por lá. O que você faz? - Eu olho. Vejo de tudo. Conheço muita gente. Tomo conta dos carros, deles. Quando você ganhou mais dinheiro, foi quanto? - No melhor dia juntei R$ 15,00. Mas isso mal dá para comer. Ainda assim você prefere ficar na rua? - A rua é melhor que em casa. Aqui não tem briga. E quando não consegue nada. O que você pensa quando está com raiva? - Fico me controlando para não bater em ninguém. Tem mulher no sinal que antes de a gente chegar vira o rosto. Aí eu desconto arranhando o carro dela. Você brigava com sua mãe ou ela brigava com você? - Nenhum dos dois. Foi o homem que ela arranjou. O meu padrasto é que me batia, sem ser o meu pai. Aí fui pra rua. Tem tempo que isso aconteceu? - Tem uns oito anos.

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