Cidades
Dessalinizadores enfim recuperados
MAIKEL MARQUES Repórter O governo do Estado recomeça, hoje, em Maceió, ?com atraso de quatro meses?, os rumos do Programa Água Doce, criado pelo Ministério do Meio Ambiente e que já deveria ter sido posto em prática em Alagoas. Orçado em R$ 6 milhões, seu objetivo é recuperar 80% dos mais de 180 dessalinizadores abandonados em povoados do Agreste e Sertão alagoanos. Avaliados em mais de R$ 30 mil, os equipamentos enferrujam em comunidades onde a população poderia ter água tratada, mas continua dependente do líquido fornecido por carros-pipa porque os dessalinizadores nunca passaram por manutenção. Serão investidos nessa primeira etapa R$ 450 mil na recuperação de apenas oito dessalinizadores. ?Infelizmente, o programa está atrasado. O recurso do governo federal deveria ter chegado em fevereiro, mas só chegou em junho?, justifica José Luiz Argolo, coordenador do Programa em Alagoas. Luiz Argolo comanda, a partir das 8 horas, na Escola Fazendária, localizada em Jacarecica, uma reunião com 38 representantes de órgãos governamentais e da sociedade civil integrantes do núcleo gestor do Água Doce. Com base em ?critérios técnicos? serão escolhidos mediante votação os oito municípios contemplados com a recuperação de dessalinizadores neste primeiro momento. Estrela de Alagoas deve ser um dos primeiros beneficiados. Nessa primeira etapa, o programa não contempla, por exemplo, a cidade de Arapiraca, cujas comunidades rurais receberam dezenas de dessalinizadores na década de 80. Sucata Um destes equipamentos virou sucata e está desmontado no Sítio Fernandes, em Arapiraca. Outro dessalinizador continua intacto na Vila São Francisco. Segundo lideranças comunitárias, o dessalinizador depende de manutenção e de uma bomba para puxar novamente água de um poço artesiano construído pelo governo do Estado. Dos 180 dessalinizadores instalados em Alagoas, um deles ficava no povoado Timbaúba, em Batalha, mas acabou sendo confiscado por lideranças políticas da cidade. ?Queremos evitar distorções e interferência política. Outra questão importante é o treinamento da comunidade, que passará a fiscalizar e gerir a utilização do dessalinizador?, reforça José Luiz Argolo. A recuperação de cada dessalinizador está orçada em R$ 45 mil, somados os gastos com compra, limpeza de peças e treinamento de pessoal. São 27 os municípios que brigam por verbas para recuperação dos dessalinizadores: Coité do Nóia, Palmeira dos Índios, Estrela de Alagoas, Minador do Negrão, Cacimbinhas, Major Isidoro, Jaramataia, Batalha, Dois Riachos, Olivença, Palestina, Santana do Ipanema, Pão de Açúcar, São José da Tapera, Carneiros, Senador Rui Palmeira, Poço das Trincheiras, Maravilha, Ouro Branco, Canapi, Inhapi, Piranhas, Olho d?Água Grande, Mata Grande, Água Branca, Pariconha e Delmiro Gouveia.