Cidades
Menina � levada pela m�e para os EUA sem avisar pai
REGINA CARVALHO Repórter Domingo, 8 de maio deste ano. Dia das Mães. Essa foi a última vez que a empresária Kátia Vasconcelos viu sua neta, a menina alagoana Bruna Maria de Paula Batista Vasconcelos, 7 anos. Hoje a garota vive nos Estados Unidos. Levada sem a autorização do pai, desde lá, ela não teve qualquer contato com os parentes de Maceió. A mãe da garota, Michelly de Paula Batista, 29 anos, levou Bruna para ver a avó e entregar um presente no Dia das Mães. ?Nossa relação sempre foi boa. Nunca imaginei que ela pudesse levar minha netinha embora?, lamentou Kátia Vasconcelos. Fruto de um relacionamento instável, Bruna sempre recebeu a atenção dos avós. Primeiro por ser a única neta e, também, por ser a filha do único filho, o empresário Eduardo Henrique Medeiros de Vasconcelos. ?Meu filho sempre manteve a menina. Pagava a pensão, escola, tudo. Nada faltava?, acrescentou. Sem dias determinados pela justiça para visitas, Bruna era vista com freqüência na casa dos avós Kátia e do publicitário José Hellington e costumava freqüentar com a mãe a clínica da avó, na Ponta Verde. ?Eu via minha neta sempre quando queria?. Desespero No dia 14 de maio, como sempre, a empresária aguardou a visita da neta, mas ela não apareceu. Sem notícias, o pai e a avó de Bruna começaram a se desesperar. ?Liguei para a casa onde ela morava, no Prado, não consegui. Liguei para o celular de Bruna, também não, estava sempre desligado. Então consegui o número do telefone e resolvi ligar para o irmão de Michelly em busca de notícia?, informou Kátia. Depois da ligação para o irmão de Michelly, Kátia entrou em contato com a família de Eduardo. Ela alegou que estava num casamento e não podia atender o telefone. Logo depois, a mãe de Bruna ligou para Eduardo e disse que estava nos Estados Unidos com ordem judicial que permitia ter levado a garota. ?Pensávamos que ela estava blefando, ficamos ainda sem acreditar?, explicou a empresária. Dias depois, por intermédio de alguns contatos por telefone com a neta, Kátia percebeu que Bruna estava triste. Por algumas vezes falava de um boneco de pelúcia, que dizia ter sido presente de um americano, namorado da mãe. Contabilizando inúmeras tentativas frustradas de encontrar Bruna, Kátia e o filho Eduardo resolveram prestar queixa na Delegacia de Crimes contra a Criança e o Adolescente. A delegada Ana Luíza Nogueira intimou para prestarem esclarecimentos Michelly, amigos e o irmão Klinger de Paula Batista. Entretanto, nenhum deles apareceu. De posse de um comprovante de residência e declarando que a filha havia sido abandonada pelo pai, Michelly conseguiu com o juiz substituto Robinson José de Albuquerque Lima, de Recife, autorização para viajar aos Estados Unidos. ?Minha neta está nas mãos de um estranho, que não sei quem é ou o que faz. É apenas uma menina de 7 anos?, lamentou Kátia Vasconcelos. Michelly conseguiu autorização do juiz em Recife, da 1ª Vara da Infância e da Juventude, no dia 27 de abril. Desesperado, no dia 16 deste mês, o pai de Bruna, Eduardo Henrique, procurou a Polícia Federal (PF) e informou o fato. ### Família quer revogação da autorização A empresária Kátia Vasconcelos informou que o americano namorado de Michelly chama-se Rodney Gregg Richard que seria, supostamente, a pessoa responsável pela ida de Bruna para os Estados Unidos. ?Não sei o que esse homem faz ou quem ele é. Tenho medo do que eles possam fazer com a minha neta?, disse a empresária. Triste e apreensiva, Kátia fala dos momentos difíceis que têm passado longe da neta. ?Sempre estava com a Bruna. Cuidava dela. É minha única neta?, explicou. Sobre a mãe da garota, Michelly, Kátia disse que ela estava desempregada e precisava do dinheiro oferecido por Eduardo para manter Bruna, que estudava na Escola Madalena Sofia, no Farol. ?Demos tudo a ela e a própria Michelly nos procurava quando precisava. Hoje ela está nas mãos de um estranho?, acrescentou a empresária. O juiz substituto de Recife, Robinson José de Albuquerque, o mesmo que autorizou a ida de Michelly e Bruna aos Estados Unidos, intimou Eduardo a comparecer para prestar esclarecimentos sobre o suposto abandono alegado pela mãe da garota. ?Meu filho sequer ficou sabendo disso. Essas informações tivemos somente depois. Como poderíamos saber se essa decisão do juiz saiu em Recife??, questionou Kátia Vasconcelos. Americano A empresária informou que viu, por algumas vezes, quando o americano ligou para o celular de Bruna. ?A conversa era normal. Não havia demonstração de carinho. Ele falava que queria levá-la para Disney?, informou Kátia. Agora, o pai e os avós exigem notícias de Bruna. ?Quero que o juiz de Recife revogue a autorização e traga minha neta de volta, porque estamos sofrendo muito?, lamentou Kátia. |RC ### Juiz qualifica caso de solução difícil Parentes da garota Bruna Maria Batista Vasconcelos acionaram a Polícia Federal (PF) e já obtiveram avanço sobre o paradeiro da garota. Eles têm o endereço onde supostamente Michelly está morando com o namorado e a filha. Entretanto a avó, Kátia, teme que ela fuja novamente. ?Eu nunca imaginei que ela pudesse fazer uma coisa dessa. Levar minha neta embora assim, está sendo muito difícil para a gente?, declarou a empresária Kátia Vasconcelos. O pai de Bruna, o empresário Eduardo Henrique, denunciou o fato ao juiz de Direito da Infância e da Adolescência Fábio Bittencourt Araújo. O juiz informou que pesquisou as empresas que possivelmente Michelly teria viajado com a filha, quando houve a confirmação de que elas realmente partiram da cidade de Recife. ?Quando os avós dela me procuraram fiz questão de levantar informações de onde Michelly teria conseguido autorização para viajar aos Estados Unidos. Nessa pesquisa confirmei que o juiz responsável foi um de Pernambuco. Não tivemos nenhuma responsabilidade nesse caso?, explicou o juiz. De acordo com ele, a exigência de autorização do pai para viagens cabe a cada juiz, sendo uma determinação particular. ?Eu por exemplo sou muito exigente para conceder autorização para viagens, pois podem acontecer problemas como esse, que são muito difíceis de resolver?, acrescentou Fábio Bittencourt. Difícil O juiz acredita que a autorização para busca da garota nos EUA será difícil e exigirá tempo. ?Além disso a família tem que contratar um bom advogado, já que envolve o Ministério da Justiça. É um problema difícil de se resolver. É uma questão demorada e não é nada fácil?, acrescentou o juiz. Ele ressaltou que a família de Bruna deve entrar com ação de busca e apreensão na Vara da Família, em Maceió. ?Também tem que haver a comprovação de que houve fraude nos documentos apresentados ao juiz pela mãe da garota?, disse Bittencourt. |RC