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ONU: fome amea�a crescimento infantil

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter As condições de miséria em que vivem as famílias na favela Sururu de Capote, em Maceió, estão comprometendo o desenvolvimento físico das crianças. Uma pesquisa realizada pela ONG Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos (Abrandh) mostrou que 46% das crianças de 6 meses a dois anos, residentes no local, apresentam déficit de crescimento. Segundo o advogado Narciso Fernandes, consultor da Food Agriculture Organization (FAO), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), que atua na favela, a taxa de déficit de crescimento admitida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 6%. ?Nos piores locais do Brasil essa média chega a 20%?, diz ele. saúde comprometida O diagnóstico, coordenado pela professora Fátima Albuquerque, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e consultora científica da ONG, mostra, ainda, que 49% das crianças da favela, na faixa de 6 meses a dois anos, são desnutridas; 80% apresentam anemia e 86,7% apresentaram, em exames, resultados positivos para diferentes parasitas. Na saúde dos adultos, a miséria também vem fazendo estragos. Segundo a pesquisa, 64,3% das gestantes estão contaminadas por vermes. Na população acima de 55 anos de idade, 65% têm pressão alta; 47% apresentam colesterol alto; e 22,5% apresentam intolerância à glicose. Direito de crescer Com o diagnóstico em mãos, as entidades, que desde o mês de abril vêm realizando o projeto Comunidade Sururu de Capote, resolveram mobilizar a comunidade pelo ?direito de crescer?. Ontem pela manhã cerca de 200 crianças da favela Sururu de Capote foram recebidas no Palácio, pelo gestor de Articulação Colegiada, Pedro Alves, e pelo secretário Executivo de Assistência Social, Thomaz Beltrão. ?Queremos sentar e discutir o que essa sociedade precisa e o que o governo pode fazer para melhorar as condições de nutrição e saúde?, disse Fátima Albuquerque. ?Queremos sensibilizar a sociedade para o direito que essas crianças têm de crescer saudáveis?, complementou o advogado Narciso Fernandes. ### Crianças da favela alimentam sonho de uma vida melhor Aos 11 anos de idade, Maria da Conceição da Silva está na escola pela primeira vez, cursando a primeira série. Longe da sua faixa escolar, ela ainda não sabe ler nem escrever. Começou tarde. ?Antes minha avó não podia me colocar na escola?, diz ela. Agora, Conceição é aluna da escola que funciona na Igreja Virgem dos Pobres, viabilizada pelo Projeto Sururu de Capote, executado pela Abrand, FAO, Ufal e Universidade de Oslo, com apoio do governo do Estado e do Município. Conceição tem dificuldade de falar das melhores lembranças da infância vivida na favela, na margem poluída da Lagoa Mundaú. Mas quando o assunto é da pior lembrança, ela é rápida na resposta: ?a morte de meu primo com um tiro?. Igual a Conceição, as meninas Daine Michele, 7 anos, e Jéssica da Silva, 11 anos, cresceram vendo a violência ao seu redor, e sonham com uma vida melhor, longe dela. Nesse aspecto, elas também têm muito em comum: sonham morar numa casa grande, com espaço para brincar sem colocar o pé na lama e no lixo; um lugar onde não houvesse brigas nem mortes; além de ter saúde e comida. ajuste de conduta No último dia dois os governos estadual e municipal firmaram um acordo no Ministério Público, onde se comprometem a ajustar conduta em relação às políticas para melhorar as condições de vida da população dos moradores da Favela Sururu de Capote, num prazo de 8 meses. De acordo com o secretário Thomaz Beltrão, entre as primeiras ações está a construção, em andamento, de unidades habitacionais no Tabuleiro para remover as famílias da beira da lagoa. ?Além disso, o governo e o município estão se entendendo para ações emergenciais de saúde?, complementou ele. Um documento entregue pelas entidades ao governo, durante a manifestação de ontem, exige muito mais. ?Ali está um dos piores índices de desenvolvimento humano já obtidos em qualquer comunidade de baixa renda?, destaca a nutricionista Fátima Albuquerque. Entre as reivindicações da comunidade, independentemente do Termo de Ajuste de Conduta, está a implantação de mais equipes de saúde da família; acompanhamento do crescimento das crianças; provimento de medicações para o tratamento das doenças detectadas; alimentação escolar; e vagas nas escolas |FA

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