Cidades
Prociss�o � marcada por desaven�a
FERNANDO VINÍCIUS Repórter A procissão em homenagem a São Pedro realizada ontem em Maragogi foi marcada por dois problemas, um de ordem natural e o outro de fundo político. Ventos fortes agitaram o mar, dificultando o acesso dos fiéis às embarcações, que sofreram para ultrapassar as ondas. Em terra firme, o presidente da Colônia de Pescadores Z-15, Ivanildo José de Oliveira, o Alemão, incentivou um boicote ao ato religioso. O motivo seria a exclusão da colônia na organização do evento deste ano, promovido em parceria entre a prefeitura, igreja católica e as Associações de Pescadores e Aqüicultores de Maragogi, São Bento e Barra Grande. Essas entidades estão ligadas ao ex-deputado estadual Paulo Nunes (PT), atualmente representante estadual da Secretaria de Aqüicultura e Pesca, órgão federal com status de Ministério. Paulo Nunes apóia o prefeito de Maragogi, Marcos Madeira (PTB), enquanto Alemão faz oposição, inclusive, por ser irmão de uma vereadora que não integra o bloco governista. Paulo Nunes acredita que ?a colônia se sentiu discriminada?, ressaltando que o boicote era ?uma bobagem desnecessária?. Ele ainda acrescentou que o presidente da Colônia de Pescadores ?não participa de nada?, referindo-se à ausência de representante da entidade em reuniões de interesse da categoria. O padre Hamilton Barbosa, responsável pela missa campal realizada antes da procissão, considerou o boicote ?lamentável?. Reconhecimento Todos reconhecem que a organização da procissão em Maragogi sempre foi de responsabilidade da Colônia Z-15, criada há 67 anos e atualmente com cerca de mil associados. Faltando cinco dias para a data em homenagem a São Pedro, a direção da Colônia não tinha organizado a programação, de acordo com o vereador e presidente da Associação de Pescadores e Aqüicultores de Maragogi, conhecido como Amaro de Quita. ?Entramos em contato para tratar do assunto e disseram que o barco do presidente não ia participar da procissão porque estava em outro local?, declarou Amaro, ressaltando que o convite foi feito a todos os pescadores, sem distinção de filiação a qualquer entidade. Como no convite impresso distribuído pela organização da procissão não há qualquer referência à Z-15, a exclusão da entidade foi usada como justificativa para boicote. Apesar das más condições de navegação e das questões políticas, pescadores e fiéis demonstraram fé e devoção, acompanhando a procissão do início ao fim.