loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sexta-feira, 24/07/2026 | Ano | Nº 0
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

Primeiro Emprego n�o deslancha em AL

Ouvir
Compartilhar

FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter O Programa Primeiro Emprego foi instituído pelo governo federal em julho de 2003. Passados dois anos, ainda não conseguiu deslanchar em Alagoas. O Ministério do Trabalho estabeleceu uma meta para o Estado de serem encaminhados ao mercado de trabalho em 2005, por meio do Programa 1º Emprego, 800 jovens de 16 a 24 anos. Mas essa meta parece estar difícil de ser alcançada. De acordo com o delegado do Ministério do Trabalho em Alagoas, Ricardo Coelho, no espaço de pouco mais de um mês - entre o dia 15 de março a 20 de abril - 2.050 jovens se inscreveram no programa em Alagoas. Só que, até agora, das mais de 163 mil empresas existentes no Estado, apenas oito ofertaram 18 vagas. Ricardo Coelho acredita que a meta estabelecida pelo Ministério do Trabalho só será atingida se for consolidado um acordo com as usinas de açúcar, que estariam oferecendo mil vagas, todas para cortadores de cana. ?Vamos nos reunir, nesta semana, com os empresários para ver se abrimos vagas, também, para o parque industrial dessas usinas?. Pelo menos duas usinas, Coruripe e Seresta, mostram-se propensas a abrir essas vagas. O delegado do Trabalho alegou existirem vários problemas que estão atravacando o programa, não só em Alagoas como em vários outros estados. As empresas têm que obedecer a alguns condicionantes para participar do programa. Uma delas é estar em dia com as obrigações sociais. ?Das oito empresas inscritas no programa, algumas estão com problemas com o FGTS e o INSS.? As empresas também são obrigadas a manter a média de empregos pelo período de um ano, para evitar a substituição da mão-de-obra mais antiga pelos mais jovens. ?Outro problema é que as empresas querem escolher os jovens para trabalharem em suas empresas?. Segundo Ricardo Coelho, a indicação dos jovens para os cargos oferecidos pelas empresas é feita pela Delegacia Regional do Trabalho (DRT) ou pelo Serviço Nacional de Emprego (Sine), de acordo com o perfil de qualificação requisitado. ?São indicados três nomes e a empresa faz a escolha. Se nenhum deles for escolhido, é enviado uma nova lista?. Para Ricardo Coelho, a instabilidade econômica no País leva o empresariado a temer fazer novas contratações. O programa tem também um sistema de consórcio da juventude, direcionado para qualificação profissional. O consórcio atua com uma rede de ONGs que trabalham na área de qualificação, artesanato, informática, silkscreen, entre outros. ?Dos 2.050 jovens inscritos no programa, pelo menos mil serão selecionados para participar dessas qualificações?. ### Sem divulgação e acordos, programa não sai do lugar O delegado da DRT, Ricardo Coelho, acredita que também faltou uma maior divulgação do Programa Primeiro Emprego em Alagoas. Por isso, a DRT vai ter a partir desta semana uma série de encontros com setores geradores de emprego como a Associação dos Lojistas do Shopping Iguatemi (Alsim), Associação dos Supermercados de Alagoas (ASA), Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea), Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Infraero, já que serão instaladas novas empresas com a inauguração do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares. Ricardo Coelho observa que na primeira fase do programa, em 2003, cabia ao Sine fazer o credenciamento dos jovens e das empresas. Em maio de 2004, com a mudança da lei que criou o programa, ele passou administrado de forma compartilhada pelo Sine e DRT. Ele acrescenta que em apenas quatro estados o programa teve sucesso: Ceará, Paraíba, São Paulo e Minas Gerais. ?Em alguns locais o programa deu certo por força de acordos nacionais com grandes empresas como a Nestlé e a Infraero?. vantagens Apesar da falta de interesse demonstrada pelas empresas, o delegado Ricardo Coelho disse que o Programa Primeiro Emprego traz vantagens principalmente para micro e pequenas empresas. As empresas recebem um incentivo de R$ 1.500, divididos em seis parcelas de R$ 250,00, por jovem contratado. As empresas com até cinco empregados podem contratar um jovem por meio do programa; até dez empregados, podem ser contratados dois; e nas com mais de 10, o correspondente a 20% de todos os empregados. O jovem contratado não pode receber menos de um salário mínimo, com carteira assinada e garantia de todos os direitos trabalhistas. Segundo Ricardo Coelho, algumas empresas de maior porte estão trocando os incentivos por um selo de Amigo do Primeiro Emprego, por fortalecer o marketing institucional. ?No caso das usinas elas estão optando por receber o selo, já que a contratação será por menos de um ano?. FA ### Falta de qualificação induz ao fracasso A falta de qualificação profissional dos jovens inscritos no Programa Primeiro Emprego é um dos fatores apontados para o fracasso da iniciativa. ?De acordo com dados do próprio IBGE, conhecimentos de informática são hoje o campeão na área de qualificação. O próprio CDL e a Federação das Indústrias colocam informática em primeiro lugar?, diz o delegado do Trabalho Ricardo Coelho. Para a diretora do Instituto de Educação Profissional do Estado de Alagoas (Inepro), Tereza Kelly, a falta de qualificação dos jovens não pode ser colocada como o principal motivo para que o Programa Primeiro Emprego não venha dando certo. ?Acho que há um problema de comunicação. Falta ao empresariado ter uma visão de que tem gente qualificada?. Só o Inepro já encaminhou ao Sine cerca de 700 alunos que participaram de um curso de preparação para candidatos ao primeiro emprego, realizado pela instituição. ?A maioria dos jovens que participa do curso está entrando no mercado, mas não por meio do Programa Primeiro Emprego?, reconhece Kelly. O curso é direcionado a jovens entre 16 a 24 anos, alunos da rede pública estadual ou municipal. O curso é desenvolvido em três diferentes módulos: Gestão, Vendas e Atendimento. Cada um deles tem carga horária de 120 horas e dura em média um mês. Nos cursos, os alunos participam de módulos sobre habilidades básicas (normas de boa convivência, relação interpessoal, comportamento em geral); trabalho de auto-estima dos alunos; e instruções laboratoriais sobre elaboração de currículos, legislação trabalhista e sobre documentos como carteira de trabalho, CPF e título de eleitor. ?Alguns jovens não têm qualquer documentação e ainda questionam por que tirá-lo se ainda não estão trabalhando?. O curso de informática foi implantado há pouco mais de dois meses e é um dos módulos que mais despertam o interesse dos alunos. O Inepro também incentiva o empreendedorismo, realizando cursos gratuitos para pessoas carentes. De acordo com o coordenador pedagógico do Inepro, José Barbosa Neto, nesses cursos, elas aprendem a fazer trabalhos de mosaicos e a usar material alternativo, como fibras de bananeiras, coco, jornais e filtros de café. FA ### Cursos de graça para alunos de baixa renda A maioria dos jovens que corre atrás do primeiro emprego sabe que não é só um programa social do governo que vai garantir a inserção no mercado de trabalho. Por isso, eles estão buscando cada vez mais se qualificar profissionalmente. Esse é o caso dos alunos que participam dos cursos promovidos pelo Instituto de Educação Profissional do Estado de Alagoas (Inepro), para jovens em busca do primeiro emprego. Josenilson da Silva, 22, e Rosemary Barbosa, 20, estão em fase de conclusão do curso. Depois de mais um mês em sala de aula, eles acreditam que estão mais preparados para conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Josenilson mora em Paripueira e concluiu o ensino médio numa escola do município. ?Estou em busca do primeiro emprego e sei que não basta apenas ter o ensino médio, é preciso ter uma formação profissional?. Josenilson, que pretende fazer vestibular para Administração, e se afina com a área financeira, optou por fazer o módulo de gestão. Ele agora já se sente mais preparado para entrar na disputa por um emprego. ?Esse curso é importante, porque ele nos dá noções de habilidades gerais, como saber lidar com as diferenças de cada um. As empresas queriam antes uma máquina, hoje elas querem pessoas que saibam lidar com o social?. CONHECIMENTOS Para Josenilson, ter conhecimento na área de informática é imprescindível para se conseguir um emprego hoje. Mas ele disse que não teria oportunidade de aprender um pouco mais de informática, se não fosse o curso do Inepro. ?A maioria dos cursos de informática é cara e aqui tudo é de graça?. Assim como Josenilson, Rosemary também acredita que está pronta para lutar por uma vaga no mercado de trabalho. Ela faz um curso de Magistério, numa escola do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa). Como estuda à noite, Rosemary quer trabalhar durante o dia e se preparar para o vestibular de Pedagogia. Animados com o que aprenderam no curso, Rosemary e Josenilson já estão com os currículos prontos para distribuírem nas empresas, mesmo que não sejam incluídos no Programa Primeiro Emprego. ?Vamos à luta de qualquer forma?, afirmam. Os dois jovens não perdem a esperança de serem absorvidos pelo mercado de trabalho e têm consciência de que precisam estudar mais ainda, para terem melhores oportunidades profissionais. |FA

Relacionadas