Cidades
Uma breve viagem atrav�s dos tempos
FERNANDO VINÍCIUS Repórter Penedo guarda relíquias de várias épocas da história do Brasil. Parte desse tesouro está no Museu do Paço Imperial, localizado no centro histórico da cidade, próximo à Igreja de Nossa Senhora das Correntes. O casarão abriga importante acervo com peças dos séculos XVIII e XIX e foi palco da recepção oferecida a dom Pedro II durante sua passagem por Alagoas. O último imperador do período monarquista luso-brasileiro tinha espírito explorador e estava em viagem com destino à cachoeira de Paulo Afonso quando esteve em Alagoas. Pólo de desenvolvimento econômico e cultural mais importante da região na época, Penedo era indispensável no roteiro dos percursos a partir da foz do Rio São Francisco. Sua localização geográfica privilegiada fazia da cidade ponto de apoio para reabastecimento e descanso dos viajantes. Dom Pedro II e sua comitiva chegaram no dia 14 de setembro de 1859 e ficaram hospedados no casarão que hoje guarda registros da família imperial, além de outros objetos relacionados ao Brasil colônia. Ao chegar no pavimento superior do antigo sobrado, o olhar do visitante é direcionado de imediato à imagem de dom Pedro II, posicionada na parede que encerra a grande sala. Óleo sobre tela assinado por Francisco Lopes Ruiz, o quadro tem 2,20 cm de altura por 1,30 de largura. Duas telas menores completam o conjunto, retratos do casal imperial, o monarca e sua esposa Thereza Christina. Dentre os objetos que integram a coleção do período monarquista brasileiro, destacam-se espadas que pertenceram a soldados da Guarda Imperial, sendo que uma delas exibe a expressão ?Viva o Imperador? gravada no aço da lâmina. Medalhas alusivas ao regente que proclamou a independência do Brasil, Pedro I, e seus descendentes, especialmente seu filho Pedro II e a filha deste, Princesa Isabel, estão em exposição permanente. Peças do aparelho de jantar de membros da família imperial, inclusive da Rainha Carlota Joaquina, e até o relógio usado pelo monarca durante sua estada em Penedo merecem especial atenção. ### Acervo tem valor real e sentimental Homem atento aos avanços tecnológicos de sua época, dom Pedro II tornou-se um aficcionado por fotografia e grande colecionador da mídia em desenvolvimento. Resguardadas da ação do tempo, ainda que os registros necessitem passar por processos de restauração, hoje pode-se observar detalhes e visualizar figuras históricas do nosso passado. Um exemplo é o registro familiar que mostra a Princesa Isabel apoiada no ombro paterno, dom Pedro II, posicionado acima de todos. Thereza Cristina está sentada ao lado dos filhos e do genro Conde d?Eu. Dom João de Orleans e Bragança, sucessor do trono imperial, esteve em Penedo durante a reabertura do museu à visitação pública. Além da herança sangüínea, o príncipe herdou o gosto pela fotografia, hobby que pratica com olhar de um profissional. O Museu do Paço Imperial impressiona não só pela qualidade das coleções, mas também por sua disposição didática - alguns espaços reproduzem ambientes de diferentes épocas, sob cuidadosa curadoria do artista plástico alagoano Rogério Gomes. A museóloga Carmem Lúcia Dantas, integrante do Conselho Estratégico da Organização Arnon de Mello, também é parte da equipe que presta consultoria à administração do museu. Ela conta que além dos objetos do período imperial, o museu reserva outras preciosidades. ?São peças doadas por famílias tradicionais de Penedo, notadamente Menezes Ramalho e Freire Leahy, o que agrega valor sentimental ao acervo?, observa. Um exemplo é o quarto com móveis do final do século XIX, especialmente uma cama de casal e um berço. Uma imagem de roça produzida no século XVIII, representando São Francisco de Assis, fica no mesmo espaço. No lado oposto, um fragmento de retábulo, parte de um altar emprestado pela Fundação Pierre Chalita, serve como aparador para outras imagens sacras. Rostos rechonchudos de anjos barrocos observam a cena. |FV ### Sobrado se transforma em casa de memória penedense Fundado em 1971 por Raimundo Marinho, o Museu do Paço Imperial é administrado pela Fundação Educacional do Baixo São Francisco (FEBSF), instituição criada pelo ex-prefeito morto em acidente de carro em 1985. O sobrado onde funciona o museu foi construído pela família Lemos, anfitriã da corte real, sendo recuperado em 1982. Lysia Ramalho Marinho retomou os projetos de seu pai no final dos anos 90, quando assumiu a presidência da FEBSF, incorporando o nome dele à instituição que mantém faculdades, cursos de nível médio e um jornal semanal em Penedo. Ainda em homenagem à memória do pai, Lysia criou o Memorial Raimundo Marinho. Recortes antigos próximos de um passado recente, o sobrado dos Lemos transformou-se em uma casa da memória penedense, onde é possível passear pelos séculos XVIII e XIX e reviver a história contemporânea, épocas unidas por uma simples escada que dá acesso aos dois ambientes. Os museus podem ser visitados de terça a sábado, entre 11 e 17 horas. Uma taxa de R$ 3 é cobrada por pessoa, exceto estudante que paga somente meia-entrada. Escolas públicas não pagam, sendo necessário o prévio agendamento da visita pelo telefone 3551-2498. |FV