Cidades
Adefal diz que faltam pol�ticas p�blicas
REGINA CARVALHO Repórter De acordo com número da Associação de Portadores de Deficiência Física de Alagoas (Adefal), no Estado existem mais de 450 mil portadores de algum tipo de deficiência. Em Maceió, esse número ultrapassa 120 mil. Com população expressiva, a iniciativa para amenizar os problemas enfrentados no dia-a-dia por esse segmento deveria ser prioridade tanto do governo municipal como estadual, como ressalta o vereador Gerônimo Ciqueira, presidente da Adefal, poré, para ele, a realidade é bem diferente. Rampas inadequadas ?Fizeram rampas curvadas, inclinadas, sem apoio para subir. Construídas em locais perigosos e inadequados?, reclama Gerônimo. Além disso, as rampas foram colocadas em cruzamentos e calçadas estreitas. Tudo isso inviabiliza o direito de ir e vir com tranquilidade, e a própria segurança pessoal, estando sujeito a cidentes de todos os tipos. virada de cadeira ?Não é possível que o deficiente alagoano, em pleno século 21, com tantas obras arrojadas, tenha que andar pelas ruas sem tranqüilidade. São lixeiras colocadas aleatoriamente, no meio da calçada, podendo ocasionar uma virada da cadeira de rodas?, afirma Gerônimo. ?A maioria dessas rampas foi colocada em locais inadequados. É preciso fazer outras rampas e também um realinhamento em todas as calçadas?, completou Ciqueira. Ele informou também ter pedido, por várias vezes, a Prefeitura de Maceió para resolver o problema, mas até hoje as rampas continuam abandonadas, muitas vezes até sem a marcação de chão. ?É preciso muito esforço para subir nessas rampas. Somente o deficiente sabe dos problemas que enfrenta no dia-a-dia?, acrescentou o presidente da Adefal. Ambientes privados Contabilizando problemas durante passeios em vias públicas, a auxiliar-administrativo Juranice Batista destacou que as irregularidades também estão em ambientes privados. ?Uma vez dentro do estacionamento de um shopping no Farol não vi um quebra-molas e acabei caindo?, relata. Nas proximidades do mesmo estabelecimento não existe faixa de pedestre próxima ao semáforo como deveria, o que acaba impossibilitando os deficientes físicos de transitarem tranqüilamente. ### Subir acessos, só com força nos braços Num trecho da Avenida Fernandes Lima, no Farol, próximo ao Shopping Cidade, os deficientes físicos têm de contar com o auxílio de pedestres para atravessar a via, já que não existem rampas. ?Diariamente, só nesse ponto, mais de dez pessoas com deficiência física precisam de ajuda para atravessar?, contou o vendedor ambulante Severino da Silva, que trabalha próximo ao Shopping Cidade. Força nos braços Em um shopping de Maceió é preciso muito esforço para subir a rampa. ?Eu ainda consigo subir, mas muita gente não consegue. Ela é muito inclinada. Tem que ter muita força nos braços?, acrescenta Juranice. Com muitas histórias para contar, umas de superação, mas também de desrespeito ao deficiente físico, Juranice relata alguns momentos de tristeza. ?Deixei de ir ao Maceió Fest por causa do desrespeito de algumas pessoas que jogavam coisas dos prédios para atingir os deficientes que passavam pela rua. Até eu fui atingida?, informou. Shows nem pensar São poucos os portadores de deficiência que se arriscam a ir a um show, e Juranice é uma delas. ?As pessoas sem deficiência invadem a frente do palco e nós não conseguimos ver nada de longe?, lamenta a portadora de deficiência. Barreiras arquitetônicas A obstrução de calçadas e passeios públicos é proibida por lei, mas são elas também, de acordo com o presidente da Adefal, que se transformam em verdadeiras ?barreiras arquitetônicas? para os portadores. ?A ocupação irregular das calçadas de Maceió, principalmente nas ruas do Centro da cidade, é cada vez mais visível, prejudicando o pedestre, agora imagine os idosos e os portadores de deficiências físicas e visuais?, finaliza Jerônimo Cerqueira. |RC