loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

O dif�cil cotidiano de quem vive em cadeiras de roda

Ouvir
Compartilhar

REGINA CARVALHO Repórter Manhã de um dia de festas juninas. Juranice Batista da Silva, 37, tinha apenas oito anos e seis meses de vida e não conseguiu sair do Sítio Caboclo, no município de Maribondo para tomar vacina contra paralisia infantil. ?Chovia muito, o rio encheu e ficamos ilhados na minha cidade?, contou a auxiliar-administrativo. Sem tomar a vacina contra a pólio, Juranice teve de ficar em casa. No dia seguinte, ela começou a sentir fortes dores de cabeça, que se espalharam por todo o corpo. ?Lembro desse dia como se fosse hoje. Só sei que depois das dores comecei a sentir que meu corpo estava paralisando. Já era tarde para fazer alguma coisa. Tive de aceitar o problema?, destaca. Obras no centro Apesar de mais conformada, Juranice ainda se revolta porque não consegue chegar com tranqüilidade a algumas localidades da cidade. ?Desde que começou essa obra de requalificação do Comércio, não fui mais ao Centro. Desisti porque não há como passear nas ruas. É muito complicado?, relatou a auxiliar-administrativo, que trabalha há oito anos na Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas. Para chegar ao local de trabalho Juranice tem de pegar o único ônibus adaptado para deficientes físicos que faz a linha Clima Bom-Farol. Quando quebra, a única alternativa é apelar para a ajuda de estranhos. ?Semana passada o ônibus adaptado quebrou e o cobrador teve que me colocar nos braços. É sempre muito difícil essa situação?, destacou. Ela tem como única opção pegar o transporte coletivo às 6h15 e na volta o de 16h40. ?Não posso perder esse ônibus?, reforçou. No bairro onde mora, no Clima Bom, Juranice não tem opção de ônibus adaptado para o Shopping Iguatemi. ?Quando quero ir ao shopping tenho que pegar um ônibus convencional, mas não deixo de ir por causa disso. Infelizmente, chego toda suja?, relatou a portadora de deficiência. Dona da rampa Por causa da ausência de ações do poder público, a auxiliar-administrativo conta que mandou, por conta própria, fazer uma rampa na rua onde mora. ?Paguei R$ 50 para fazer, mas com a construção de um quebra-mola tiveram que quebrar a rampa. Agora tenho que ficar no acostamento para esperar o ônibus?, lamentou Juranice. A auxiliar-administrativo contou que uma vez o ônibus bateu em sua cadeira de rodas. ?Isso foi há uns três anos, quando eu estava no ponto de ônibus. Foi um grande susto?, acrescentou Juranice. Ela ressalta que na rua onde está localizada a Adefal, seu local de trabalho e por onde passam inúmeros de deficientes físicos todos os dias, as calçadas são desniveladas. Motéis Mesmo com tantos obstáculos enfrentados quase que diariamente, Juranice disse que é feliz, mas faz uma reclamação. ?Quase todos os motéis de Maceió não têm banheiros adaptados para atender deficientes físicos?, destacou a auxiliar-administrativo, que conta que por pouco não teve ferimentos. ?Uma vez meu namorado teve que me colocar nos braços para eu tomar banho. Aconteceu que ele não agüentou o peso e nós acabamos caindo?, acrescentou Juranice.

Relacionadas