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Dono da Flor do Bosque aceita vend�-la

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BLEINE OLIVEIRA Repórter O superintendente regional do Instituto Nacional de Reforma Agrária em Alagoas (Incra-AL), Gino César Meneses, definiu como um grande passo a autorização dada pelo proprietário para que técnicos do Instituto iniciassem o trabalho de avaliação da fazenda Flor do Bosque, no município de Messias, na chamada Mata Norte alagoana. Até então o Incra enfrentava dificuldades para avaliar a área, pois não se tratando de desapropriação seus técnicos só poderiam entrar com permissão do proprietário. O trabalho de campo, uma das etapas da avaliação, já está pronto. Falta agora o levantamento cartográfico e de escritório, ou seja, das chamadas benfeitorias existentes na fazenda. A Flor do Bosque, considerada um símbolo do movimento sem-terra, é reivindicada por 200 famílias ligadas à Comissão Pastoral da Terra (CPT-Alagoas). Parte dela, 30 hectares, está ocupada por famílias que esperam, desde 1998, vê-la comprada pelo Incra para projetos de reforma agrária. Como têm autorização para plantar, a espera ocorre de forma pacífica. A fazenda foi vistoriada em janeiro de 99 e, em fevereiro do mesmo ano, já era dada como improdutiva, num dos processos mais rápidos da história da reforma agrária, segundo sua avaliação. Em maio último, com intermediação da Justiça e do ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho, eles fizeram um acordo com representantes da Usina Santa Clotilde, que se apresentam como proprietário da área. São 500 hectares de terra plantada com cana-de-açúcar. Pelo acordo, as famílias permaneceriam na área por um ano, prazo renovável por igual tempo. Neste prazo deverá estar concluída a negociação para a compra da fazenda. O Incra chegou a iniciar processos de desapropriação, mas todos esbarraram em decisões judiciais de reintegração. ?Concluída a avaliação, vamos chamar os proprietários para anunciar o valor do Incra. Ele pode ou não concordar, aí começamos a negociação?, explica Gino César. O instituto, ressalta ele, avalia de acordo com valores de mercado, qualidade da terra e a infra-estrutura do local. Embate O impasse gerado em torno da desapropriação da Flor do Bosmobilizou entidades de Direitos Humanos até na Europa e trouxe ministros do desenvolvimento Agrário a Maceió. No início do ano passado, o então ministro Miguel Rosseto veio à capital para intermediar um acordo com a CPT que ocupou o prédio do Incra para exigir uma solução. Na época, a CPT conseguiu do ministro a garantia de que o governo federal iria liberar dinheiro para a compra da área.

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