Cidades
Novo presidente assume em meio � crise
CARLA SERQUEIRA Repórter Em meio a uma greve que conta com adesão de 90% dos funcionários e diante de um dossiê com denúncias de gastos exorbitantes - como um almoço individual, em pleno sábado, na Praia do Francês, no valor de R$ 280 - feitas pela empresa, o novo presidente da Companhia de Abastecimento D?Água e Saneamento de Alagoas (Casal), Marcos Carnaúba, tomou posse ontem, sob o olhar de poucos funcionários e de seu antecessor, Fernando Souza, promovido à secretário de Estado na semana passada. Enquanto Marcos Carnaúba tomava posse na sala do Conselho Administrativo da Casal, na sede da empresa, os funcionários em greve, há quase 30 dias, pressionavam o governo do Estado, acampados diante do Palácio Floriano Peixoto, na Praça dos Martírios, por reajuste salarial e pela permanência de conquistas trabalhistas, como o auxílio transporte, que o antigo presidente, Fernando Souza, cogitou abolir. ?Além de retirar o auxílio transporte, querem impor o banco de horas, que transforma as horas-extras trabalhadas por dias de folga. Não concordamos com isso?, disse a secretária-geral do Sindicato dos Urbanitários, Amélia Fernandes. Os cerca de 1.400 funcionários da Casal em todo o Estado reivindicam aumento salarial de 6,61% com base no Índice Nacional de Preço do Consumidor (INPC), um dos parâmetros utilizados para reposição salarial diante da inflação. ?No início, exigíamos reajuste de 8,49%, com base no Índice de Custo de Vida (ICV), mas o governo não acena a favor e só quer se comprometer com o reajuste de 5%?, confirmou Amélia Fernandes explicando que também está na pauta de reivindicações o aumento de R$ 1 no auxílio alimentação. ?Não entendemos a intransigência do governador Ronaldo Lessa em não ceder 1% de reajuste e aumentar em 1 real o auxílio alimentação?, reclama. De acordo com a sindicalista, as negociações estavam avançando, até a empresa anunciar que o governador estava se negando a pagar até os 5% proposto por ele. Consenso No próximo dia 12, é a Justiça que vai se colocar em busca de um consenso entre a empresa e os funcionários. Está marcada para esse dia uma audiência que vai deliberar sobre os direitos de cada parte. O atual presidente da Casal, Marcos Carnaúba, mostrou-se preocupado com a crise enfrentada pela empresa. ?Minha primeira meta é conquistar o apoio dos funcionários em greve?, comentou, acrescentando que vai se reunir hoje, às 9 horas, com o comando de greve e, às 10h, com o sindicato da categoria, o dos Urbanitários. ?Quero saber exatamente em que pé estão as negociações e buscar, o mais rápido possível, uma solução para o problema?, disse ele. Sobre o dossiê anônimo entregue na sede do Sindicato dos Urbanitários, na semana passada, com as denúncias de gastos excessivos por parte da gestão anterior da Casal, inclusive com notas fiscais comprovando as despesas, Marcos Carnaúba afirmou que hoje vai requerer uma auditoria na empresa. ?Vou requerer uma auditoria na Controladoria Geral do Estado para investigar a situação em que se encontra a Casal. Todo administrator de bom senso faz isso no seu primeiro dia de trabalho até como uma forma de se proteger?, disse. O ex-presidente da Casal, Fernando Souza, defendeu-se das denúncias, afirmando serem verídicas as despesas denunciadas. ?Eu, como administrador, tenho direito de realizar alguns gastos?, argumentou. Sobre o aumento reivindicado pelos funcionários, ele disse que a empresa tem um limite de caixa e que não havia disponibilidade para aumento salarial?. Os funcionários da Casal informaram que a greve não tem data para terminar. ?Vamos continuar acampados até que o governador acene a favor do pouco que estamos pedindo. Chegou a hora de ele entender que é preciso investir na empresa pública, que é do povo?, observou Amélia. Hoje pela manhã, em frente ao Palácio, a categoria realiza um ato público com atrações culturais.