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Mesmo cansados de promessa, moradores v�o aguardar casas

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Bleine Oliveira Repórter Moradores das favelas Vila Emater e Cidade de Lona receberam entre incrédulos e esperançosos a informação de que o governo do Estado desapropriou as áreas onde moram há anos. A desapropriação é o primeiro passo para a urbanização das favelas, o que significa a realização de um sonho para milhares de homens, mulheres e crianças. ?Mas só acredito quando as máquinas tiverem aqui em cima?, disse Valdir dos Santos, catador do Lixão, casado, dois filhos, que mora na Vila Emater há quatro anos. Ele expressa com simplicidade a descrença de quem espera há anos por promessas que se repetem a cada período eleitoral e, ao menos até agora, não foram cumpridas. A desesperança é fruto não só das promessas não cumpridas, mas principalmente da desumana condição em que vivem. Dizer que falta tudo é simples demais. Só é possível ter uma idéia da miséria daquelas famílias passando pelo menos meia hora entre eles. Na Cidade de Lona, um aglomerado de barracos montados há cerca de dois anos num área de propriedade da extinta Cohab, no Tabuleiro do Martins, proximidades do conjunto Eustáquio Gomes, o esgoto e o lixo são os principais inimigos. O terreno, segundo cálculo do próprio governo do Estado, mede 100 metros de largura na frente e nos fundos, com mil metros de extensão de frente a fundos em ambos os lados. Os moradores não sabem exatamente quantas famílias vivem na favela. Os números citados por alguns variam entre 800 e 1.000. A maior parte delas veio do interior do Estado para ?tentar uma vida melhor?, como revela Alexsandra Costa, de 20 anos, dois filhos. Ela aproveita para reclamar que há quatro anos espera receber o cartão do programa Bolsa-Família, que já beneficia muitas das suas vizinhas. ?Não sei mais o que faço. Na Caixa tem o meu registro, mas o governo diz que não estou cadastrada?. O problema dela sensibiliza as vizinhas, mas acostumadas aos lamentos, elas preferem falar da expectativa de verem a favela transformada num bairro. ?Ouvi alguma coisa sobre esse decreto, mas não sei explicar direito o que é?, afirma Ângela Maria Costa, 35 anos, 5 filhos, natural do município de Cajueiro. Quando informada sobre o decreto de desapropriação, Ângela expressa um sorriso desconfiado e se dirige às vizinhas ao seu lado perguntando se elas acreditam que vão ter suas casas. ?As promessas são muitas. Mas não tem outro jeito, tem que acreditar, né??, diz Luzinete Soares, 47 anos, 10 filhos, que está na Cidade de Lona há mais de seis anos. Ela também veio de Cajueiro. Para ela, além das casas, o governo deve urbanizar a favela, construindo posto de saúde, delegacia, afastando ruas e implantando saneamento.

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