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Abuso sexual come�a dentro de casa

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CARLA SERQUEIRA Repórter Cerca de 70% dos crimes de exploração sexual contra crianças e adolescentes são cometidos por parentes da vítima. Geralmente é o próprio pai o responsável pelo abuso. Só este ano, 60 inquéritos policiais foram instaurados na Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente, em Maceió. Desses crimes, 60% das vítimas têm entre 8 e 12 anos de idade, e 5% são meninos. A delegada Ana Luíza Nogueira diz que, na maioria das vezes, este tipo de crime conta com a conivência das mães que temem denunciar os casos à polícia. ?Muitas vezes o parente, que pode ser o pai, o tio, o avô, aproveita da confiança que a criança naturalmente deposita na família para cometer o abuso sexual?, explica. Dos 113 inquéritos instaurados na delegacia, que investiga todo tipo de crime cometido contra a criança e o adolescente, quase a metade é de abuso sexual. Denúncia A principal ferramenta para modificar esta realidade é a denúncia. Entre 2003 e 2004, as ocorrências de exploração sexual cresceram 86%. ?Mas não é o crime que está crescendo. Abuso sexual é uma prática antiga dentro das famílias. As pessoas é que estão perdendo o medo de denunciar e isso tem possibilitado a investigação policial?, afirma a delegada, que calcula, em 2005, um aumento ainda mais significativo no número de ocorrências. Segundo ela, todos os meses, em média, quatro prisões em flagrantes são feitas pela Delegacia de Crimes Contra Criança e o Adolescente referentes à exploração sexual. ?Fora os mandados de prisão preventivas que nós cumprimos?, conta. Álibi O maior álibi dos criminosos, quando abusam de uma criança, é o exame de corpo de delito, realizado pelo Instituto Médico Legal (IML). Dos 60 inquéritos instaurados na delegacia só este ano, 17 são de estupro, 9 de submissão à prostituição infantil e 34 é de atentado violento ao pudor, aquele onde não há a conjunção carnal. ?Muitos criminosos se baseiam no exame para provar a sua inocência, mas não é o bastante para parar as investigações, já que o toque nas partes íntimas da criança é considerado crime perante a lei?, diz Ana Luíza. Além disso, os acusados acreditam que, não havendo testemunhas, estarão mais próximos da liberdade. ?Mas em qualquer tribunal, a palavra da criança tem valor preponderante?, avisa. A pena do crime de atentado violento ao pudor é semelhante ao estupro. O responsável pela exploração sexual pode pegar de 6 a 10 anos de prisão. Para que, cada vez mais, este tipo de exploração de crianças e adolescentes seja combatida, o papel da escola é fundamental. ?É preciso estar observando o comportamento das crianças e, se for identificada alguma característica estranha, a denúncia aos órgãos competentes tem que ser feita?, alerta Ana Luíza Nogueira. As vítimas quando chegam à delegacia são assistidas pelo Grupo de Apoio a Vítimas de Crime, recebendo atendimento psicológico. O acompanhamento psicológico é determinante para que as crianças possam ter um futuro livre de traumas.

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