Cidades
Grevistas param servi�os essenciais
FÁTIMA ALMEIDA Repórter Os servidores públicos federais radicalizaram. Em greve há 42 dias, os previdenciários do INSS e do Ministério da Saúde fecharam, literalmente, as portas dos prédios onde funcionam essas instituições, por dois dias, desde ontem. Nem mesmo os 30% de serviços previstos em lei foram mantidos. Durante o dia de ontem, apenas a Delegacia Regional do Trabalho (DRT) funcionou com o percentual mínimo de serviços, em cumprimento à determinação judicial. Os servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também estão de braços cruzados desde o dia 7 de julho e segundo o presidente do sindicato, Marcos Maranhão, o órgão está totalmente fechado em Maceió. No interior, afirma ele, a adesão à greve é de 90%. Em todas as categorias, a perspectiva é de que, nas próximas horas, o governo federal avance nas negociações, emperradas, segundo os dirigentes sindicais, desde que o governo fez uma proposta de 0,1% de reajuste. ?É uma proposta tão ridícula, que nem consideramos?, diz Maranhão. Os servidores querem a incorporação de gratificações pagas desde 2002, reajuste de 20% para o pessoal de nível médio e auxiliar, além da criação de uma nova gratificação para o pessoal de ciência e tecnologia. Outra situação criticada pelos servidores do IBGE são os contratos temporários de trabalho, renovados mês a mês, com salários de R$ 400,00 para funções cujo vencimento pago ao pessoal efetivo é de R$ 1.200,00. Para os previdenciários, a proposta do governo avançou, mas na avaliação do presidente do sindicato da categoria (Sindiprev) Cícero Lourenço, ainda faltam vários ajustes e a formalização da proposta. ?Por enquanto a proposta é verbal. Nós queremos que ela seja colocada no papel para podermos analisar?, diz ele. Lourenço destaca que o governo já fala em gratificação para o INSS, mas sem contemplar os servidores aposentados. ?Não aceitaremos essa discriminação?, alerta o sindicalista. Para os servidores do Ministério da Saúde e da DRT, o governo teria chegado à proposta de pagamento de 47,11% de adiantamento do PCCS, em 12 parcelas distribuídas em seis anos (duas por ano). ?Mas também não tem nada no papel?, diz o dirigente sindical. Hoje ocorre uma plenária nacional em Brasília, para definir os rumos do movimento. Na próxima segunda-feira os previdenciários alagoanos realizam uma assembléia na sede do INSS, em Maceió, para tomada de decisões sobre a greve. O restabelecimento do atendimento ao público é esperado com ansiedade pelos usuários. Viagem perdida O aposentado José Ferreira da Silva mora em Atalaia e sustenta a família com um salário mínimo, pago pelo INSS. No mês passado, quando foi receber, foi informado no banco de que o pagamento foi bloqueado. Este mês também não conseguiu receber. Ontem, ele se deslocou pela sexta vez ao INSS para saber notícias de seu pagamento, mas deu com a ?porta na cara?. Resignado, José Ferreira diz que não pode fazer nada, a não ser esperar. Desta vez ele decidiu que vai ficar na casa de parentes, em Maceió, até a greve acabar. Ontem, ele veio de carona, mas não tinha dinheiro para voltar.