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Mata atl�ntica vira carv�o em fazendas
CARLA SERQUEIRA Repórter Em uma operação realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no litoral norte do Estado, cinco fazendas foram notificadas e uma autuada por crime ambiental. Seis caminhões de lenha foram apreendidos. Ontem, três pessoas foram presas em flagrante. As áreas devastadas são reservas de Mata Atlântica e deveriam estar sob proteção permanente. Os fiscais do Ibama, desde o início do mês, vistoriaram nove fazendas. Em São Luiz do Quitunde, na fazenda Gameleira, de propriedade do ex-prefeito da cidade, João Cordeiro, reincidente em crimes contra a natureza e esposo da deputada estadual Fátima Cordeiro (PDT), os trabalhadores Mário José dos Santos, 45; Luís Vidal Gomes da Silva, 54; e Renato José dos Santos, 21, foram presos enquanto cortavam lenha. ?Tenho que cortar para poder comer?, justifica Renato, afirmando que o desmatamento na região é antigo. ?Aqui é direto, de segunda a sexta?, disse. Mais de três hectares de mata foram destruídos. Fábrica de tijolos A lenha é usada, segundo os trabalhadores da fazenda Gameleira, para produzir carvão que é utilizado no forno de uma fábrica de tijolos, também de João Cordeiro. ?Já saíram daqui mais de 50 caminhões de lenha?, contou Renato, sem saber precisar o tamanho do desmatamento. Segundo ele, na área também é utilizada uma motossera. ?Todos os dias, um rapaz vem às 4h e só sai às 10h. Ele recebe R$ 200 toda semana para derrubar as árvores maiores?, detalhou. Dois machados, um facão e uma foice também foram apreendidos e levados para a Delegacia de Repressão aos Crimes Ambientais (DRCA). Os fiscais não encontraram a motossera. Depois que prestaram depoimento, os três trabalhadores foram liberados. Eles afirmaram que o dono da fazenda paga R$ 6 por cada metro quadrado de lenha cortada. ?R$ 3 é para o cortador, R$ 2 para quem puxa a lenha da mata a cavalo e R$ 1 para o trabalhador que fica tomando conta das estacas?, detalharam. Os administradores das fazendas Cruzeiro, Cordélia, Águas Compridas, Cabocla e Sossego, localizadas entre as cidades de Paripueira e São Luiz do Quitunde, foram notificados a comparecer ao Ibama para prestar esclarecimentos. Já Gildo Inajoza, administrador da fazenda Sossego, foi autuado e vai responder por crime ambiental. De acordo com Clívio Tenório, o proprietério da fazenda Gameleira, João Cordeiro, deve ser interrogado, em breve, pelo delegado da DRCA, Dalmo Lima Lopes, que vai investigar o desmatamento em sua propriedade. ?A derrubada de árvores é para dar espaço à plantação de cana. Vamos calcular o tamanho exato da área destruída para contabilizar a multa. Caso haja nascentes na região, o valor é multiplicado por dez?, contabilizou. Em duas semanas, foram apreendidas 4 mil estacas de lenha, 35 sacos de carvão e 43 toras de madeira. Entre as árvores derrubadas, estão espécies raras como tambor, camaçari e curupira. A operação vai continuar. ?Queremos coibir a destruição do que resta da Mata Atlântica na região?, disse Clívio Tenório.