Cidades
Inverno reduz em 40% atividades f�sicas
CARLA SERQUEIRA Repórter O inverno reduz em 40% a freqü-ência de pessoas nas academias de ginástica em Maceió. Apesar de a estação ser amena no Nordeste, muita gente não resiste ao cobertor em dias de chuva. É nessa estação, segundo os especialistas, que as pessoas que sofrem de asma ou bronquite devem arregaçar as mangas e dedicar-se aos exercícios físicos, já que é no período do inverno que as crises se intensificam. Para a médica Roseane Ferraz, coordenadora do Programa Saúde na Praia, que há três anos oferece, a preços populares, instrução para a prática de exercícios físicos na orla da Jatiúca, a estação provoca preguiça nos praticantes, mas não determina a evasão total. ?De maio até setembro, a freqüência é anormal. Se chove, poucos vêm, mas quando pára de chover, todos voltam às atividades. Como em Maceió nunca chove durante muitos dias, não há grandes prejuízos?, afirma. Já o professor de educação física de uma academia de grande porte na cidade, Paulo Lima, afirma que a freqüência no inverno diminui nas academias, mas não em função da estação, mas porque o mês de julho é período de férias e muita gente prefere viajar e acaba abandonando os exercícios. ?Como a evasão é previsível, procuro orientar meus alunos a manter os exercícios físicos aonde forem. Uma simples caminhada já ajuda muito?, comenta. A preocupação maior, na visão da médica Roseane Ferraz, é com aqueles que sofrem com problemas na circulação sanguínea. ?Se os exercícios diminuem os riscos de doenças, eles não podem ser interrompidos por causa do clima?, diz ela, ?as pessoas, neste caso, devem optar por atividades domésticas, como preferir as escadas ao elevador?, observa. O perigo, segundo ela, está na opção que muita gente faz de ficar dias em frente da TV, lendo, ou pior, passando o tempo inteiro comendo, sem reservar tempo algum para se movimentar. ?Não é necessário ir a uma academia, nem sair de casa em dias de chuva para garantir boas condições físicas. As atividades do dia-a-dia, como andar, já podem trazer bons resultados?, diz ela. ### Quem já sofreu de depressão não abandona os exercícios Mas não é a todos que o tempo frio consegue afugentar dos salões de ginástica. A doméstica Divanilda Maria da Silva, de 51 anos, caminha, duas vezes na semana, do Jacintinho até a Jatiúca, onde pratica ioga, alongamento e aulas de dança. ?Ando ligeiro. Gasto 40 minutos até aqui?, diz ela. Há cerca de um ano, Divanilda se inscreveu no Programa Saúde na Praia, realizado pela Unimed. Sua vontade era se livrar do mau humor e do estresse. ?Passei muito tempo me abusando com qualquer coisa. Comecei a ter medo de sair de casa, de me relacionar com as pessoas?, contou, referindo-se à síndrome do pânico, uma doença que atinge o sistema nervoso. ?Hoje sou outra pessoa e se não fossem os exercícios físicos que pratico, acho que não teria conseguido superar o problema que tinha?, acredita. ?Pode estar chovendo, mas eu venho?, garante. No programa estão inscritas cerca de 2.500 pessoas. A mensalidade é R$ 5. ?Este preço tem garantido a participação de muita gente que não pode pagar uma academia?, diz a coordenadora do programa, Roseane Ferraz, explicando que as aulas não são só para idosos. ?Vem gente de todas as idades e de diferentes classes sociais?, conta. ?Dentro da cabana não tem cacique, todo mundo é índio?, diz ela, referindo-se ao espaço, no corredor cultural Vera Arruda, na Praia da Jatiúca, onde as aulas acontecem, de segunda a sexta. A estudante Rosalina Santa Cruz, de 16 anos, mora na cidade do Recife e está passando as férias escolares em Maceió na casa de uma tia. ?Não perco nenhum dia as aulas aqui. Em Recife não tem um local como esse para fazer exercícios físicos?, conta. Todas as tardes, ela se junta a um grupo de aproximadamente 30 pessoas para participar das aulas de dança e alongamento. ?Muita gente passa as férias parada em frente à TV, assistindo a filmes, mas eu não consigo ficar parada. Me sinto muito bem sabendo que no meu dia fiz bem a minha saúde?, revela. O mesmo faz a médica sanitarista Tereza Perdigão, 55 anos. ?Vim buscar qualidade de vida aqui no programa. O clima é muito bom entre as pessoas. Já fiz muitas amizades. Só não venho quando está chovendo muito forte. Mas quando isso ocorre, caminho numa esteira que tenho em casa?, afirma, dizendo que sua vida mudou completamente depois que começou a praticar exercícios físicos. ?Meu condicionamento físico é outro hoje em dia?, conclui.|CS