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Distrito cresce, mas n�o avan�a em infra-estrutura

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FÁTIMA ALMEIDA Repórter Clima de montanha, vista exuberante do mar de Ipioca, a pouco mais de 20 quilômetros do centro de Maceió. Foi nesse lugar, antes um vilarejo habitado por poucas famílias, que nasceu Floriano Peixoto, o segundo marechal alagoano a ocupar a presidência após a proclamação da República Brasileira (sucessor de Manoel Deodoro da Fonseca). O vilarejo cresceu, tornou-se Distrito de Ipioca, e o crescimento trouxe também muitos problemas de infra-estrutura. Os moradores reclamam da falta de empenho do poder público em melhorar a qualidade de vida da comunidade, que não dispõe, sequer, de uma escola de nível médio. As duas unidades de ensino fundamental (uma municipal e outra estadual) não dispõem de vagas suficientes para as crianças do bairro. ?Cerca de 350 crianças que residem nos loteamentos Boa Vista e Sauaçuhy estudam em Paripueira, que é outro município?, denuncia o presidente da Associação Comunitária de Ipioca, Chassepot Vieira da Fonseca. Segundo a diarista Maria José Soares, mãe de duas crianças de oito e dez anos, que fazem esse percurso, o transporte também é assegurado pela prefeitura do município vizinho. ?Se não fosse assim, meus filhos não estariam estudando, porque não consegui vaga aqui, e o maior já paga transporte?, diz. Segundo o presidente da Associação, muitas crianças e adolescentes estão fora da escola por causa dessa dificuldade. O poder público assegura o transporte escolar para duas escolas no bairro da Jatiúca, mas, segundo os moradores, não é suficiente. ?Muitos adolescentes que concluem o ensino fundamental, são obrigados a parar de estudar por não terem como se deslocar para Maceió?, informa o dirigente comunitário. A creche que atendia às crianças da comunidade foi desativada há muitos anos e nenhuma alternativa foi oferecida em substituição. O casarão abandonado na beira da pista, na parte baixa do bairro, guarda apenas as lembranças da sua antiga função, nas pinturas das paredes e na pilha de documentos mofados e estragados, e restos de móveis empilhados. ?Quase todas as crianças da minha geração passaram por essa creche. Hoje, quem não tem como pagar, não tem onde deixar os filhos para trabalhar?, lamenta Gilberto Arlindo da Silva, 33 anos. Sua mãe era funcionária da antiga creche. Do outro lado da pista, outro exemplo de abandono. O ponto de ônibus é apenas duas colunas descobertas. As pessoas ficam expostas ao sol ou à chuva. ?Já houve manifestação pública, bloqueamos a rua, mas nunca conseguimos melhorar as condições do bairro e fazer a coberta do ponto de ônibus?, lembra Gilberto. ### Atrativos turísticos mascaram problemas Na parte alta, como na parte baixa de Ipioca, muitas ruas cresceram e se multiplicaram, mas sem planejamento e sem investimento público para garantir serviços de drenagem, pavimentação e coleta de lixo. A rua São Miguel, mais conhecida como Rua do Campo, é totalmente habitada dos dois lados, desde o Campo de Futebol até a pista principal (AL101-Norte) que corta o bairro. Daria um excelente corredor de transportes, na opinião dos moradores, mas é quase intransitável. ?Se fosse asfaltada, poderia resolver o problema de transporte. As pessoas que moram na parte alta de Ipioca, só têm ônibus até o Mirante. As autoridades não perceberam que o bairro cresceu muito e que os moradores são obrigados a fazer um enorme percurso a pé para chegar em suas residências?, destaca Márcio Máximo, vice-presidente da Associação Comunitária. ?Se precisarmos de um socorro, temos que recorrer à boa vontade dos vizinhos ou alugar um carro a trinta reais, para chegar ao pronto-socorro, porque não temos ambulância no posto de saúde e nem profissionais suficientes para o atendimento?, relata Márcio Máximo. O lugar é paradisíaco e, com seus atrativos naturais e históricos, transformou-se em ponto turístico. Ipioca está na rota dos balneários do litoral norte e cresceu às margens de uma bela praia, de areias claras, águas mornas e tranqüilas, e grande concentração de coqueiros. Sua participação na história tem respaldo no fato de ter sido o berço do Marechal Floriano Peixoto, o marechal de ferro. Mas na memória dos mais antigos, a história recontada cita o alto de Ipioca, também, como um ponto estratégico de observação durante a invasão holandesa, exatamente pela sua localização e vista panorâmica para o mar. Na parte mais alta do distrito, uma igreja secular, construída em homenagem a Nossa Senhora do Ó, e um casario antigo são testemunhas da existência da comunidade desde o século XVIII, na época da colonização, e guardam capítulos da história de Alagoas e do Brasil. A história conta que a igreja originou-se de um forte, construído pelos portugueses, aproveitando toda a sua estrutura. Hoje o templo histórico também sofre do mal do abandono. A última pintura, na fachada, foi feita pelos moradores, que fizeram uma cota para comprar a tinta e pagar o pintor, mas as avarias do tempo e da falta de conservação nas paredes e no teto permanecem como ameaça ao patrimônio histórico. O local onde existia a casa do filho ilustre, deu lugar ao Mirante Floriano Peixoto, com placa aposta no governo Silvestre Péricles, e monumento recuperado no governo Ronaldo Lessa. O busto, na praça em frente à Igreja, complementa a homenagem. Floriano Peixoto viveu toda sua infância e adolescência em Ipioca. FAL ### Comunidade luta para resgatar origem Embora à beira-mar, as casas de veraneio trouxeram um ar sofisticado, o alto de Ipioca tem jeito e gente simples que lembram as cidades do interior, com seus costumes e lendas que passam de geração a geração. A história da imagem de Santo Antonio, que, segundo a crença popular, caminhava entre a Igreja de Nossa Senhora do Ó e a capela do Engenho Velho, é uma delas. Os devotos acreditam, e em dia de procissão, as imagens do santo e de Nossa Senhora têm lugar de destaque. Conta o jornalista Jair Barbosa, num site sobre os bairros de Maceió (www.bairrosdemaceio.net), que a própria história da igreja parece uma lenda, contada pelos moradores com crença de fato verídico. ?Dizem que sua construção deve-se a uma promessa feita pelos portugueses que se perderam no mar e foram salvos graças à devoção a Nossa Senhora do Ó. Ao chegarem em terra firme, demonstraram sua gratidão pela graça alcançada, construindo a igreja no alto do local, que depois virou o povoado e o distrito de Ipioca?. Muitas histórias se perderam ou se perpetuaram no tempo, mas a comunidade vive um momento bom, de resgate da sua própria origem. Ninguém ignora o conterrâneo ilustre. ?Temos história e belezas naturais, que juntos dão um bom roteiro turístico. Falta investimento?, diz o presidente da Associação, Chassepot Vieira. A nova diretoria traça planos para tirar melhor proveito desses ingredientes, sobretudo da fama marechal de ferro, mas sem perder a identidade interiorana, que mistura tranqüilidade, ar livre, conversas na calçada, missa aos domingos e procissão na festa da padroeira. De quebra, as lideranças comunitárias querem um espaço onde os moradores possam mostrar e comercializar trabalhos produzidos por eles: artesanais, de culinária, ou com base na própria história. |FAL

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