loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

MST faz ocupa��o em s�rie em Alagoas

Ouvir
Compartilhar

FERNANDO VINÍCIUS Repórter Maragogi - O Movimento dos Sem Terra (MST) planeja ocupar em Alagoas 25 áreas até o dia 25 de julho. A coincidência de números refere-se ao Dia do Trabalhador Rural, data que será marcada por uma grande mobilização em nível estadual, segundo informações da assessoria de comunicação do MST. Seis propriedades já foram ocupadas até ontem de forma pacífica. As ocupações começaram na segunda-feira, 11, quando a fazenda Alaíza, localizada em Areias Belas, município de Maragogi, foi tomada na madrugada por cerca de 60 famílias, segundo informações dos sem-terra que estão no local. A esposa do caseiro que toma conta da fazenda, Maria do Carmo Moura, disse que a corrente que prendia o portão foi quebrada com golpes de foice e que a propriedade pertence aos irmãos Paulo e Roberto Cavalcante. A Gazeta não conseguiu fazer contato com os empresários para saber quais providências foram tomadas, já que foram informados da invasão na manhã da terça-feira, 12. A coordenação estadual do MST diz que a fazenda Alaíza tem 435 hectares e é improdutiva. A família que toma conta da propriedade declara que há colheita de coco e criação de gado nas terras. Acampados em barracos de lona e sobrevivendo com auxílio do Incra, que entrega uma cesta básica para cada família, os sem-terra aguardam a negociação e acreditam que vão conseguir um ?pedaço de chão?. Além da fazenda Alaíza, o MST ocupou em Maragogi terras da Usina Barreiras, uma área estimada em 385 hectares. No município de Flexeiras, o alvo foi a fazenda Duas Barras, com cerca de 900 hectares ocupados por 120 famílias. Em Jacuípe, 135 famílias invadiram a propriedade Duas Bocas e, no Sertão alagoano, a fazenda São Vicente, do empresário e ex-prefeito de Delmiro Gouveia, Lula Cabeleira, foi tomada por cerca de 200 sem-terra. A promessa de ?terra para trabalhar? atrai gente de diversos cantos de Alagoas e estados vizinhos, como Sergipe e Pernambuco. Entre os que estão em Maragogi, encontram-se famílias que vieram da região agreste, especificamente Arapiraca e São Sebastião. Do litoral sul, há pessoas de Coruripe e do Alto São Francisco, Traipu. Também das margens do Velho Chico, famílias sergipanas de Neópolis e de Propriá. ?E vai chegar mais gente?, avisa José Carlos de Albuquerque, 50 anos, viúvo, há somente um ano no MST. Santino Torres da Silva está há oito anos no movimento e esteve presente nas duas ocasiões em que houve mobilização para ocupar a Fazenda Alaíza, tentativas que não foram concretizadas. ?Eu só estou aqui porque ainda tenho esperança de conseguir um pedaço de terra?, declarou. A falta de carne na cesta básica não diminui o entusiasmo das famílias, que pescam nos rios e praias da região para ter alguma ?mistura? na refeição. ### Fazenda de Lula Cabeleira é invadida Delmiro Gouveia - Um grupo de 500 agricultores ligados ao Movimento dos Sem Terra (MST) ocupa, desde segunda-feira, a fazenda São Vicente, um dos inúmeros imóveis rurais pertencentes ao empresário e ex-prefeito de Delmiro Gouveia, Luiz Carlos Costa, o Lula Cabeleira (PMDB). Considerada improdutiva pelo MST, a fazenda de 2.137 hectares seria vendida pelo empresário ao governo federal, por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), para o assentamento de trabalhadores que criariam avestruz para posterior revenda das aves ao próprio Cabeleira. ?Temos projeto social para o imóvel desde 1999. Estamos em fase de negociação com Incra e ficamos surpresos com a ocupação. Ainda não entendemos o porquê dessa atitude dos trabalhadores?, diz Gilvan Vilar, que é administrador das empresas de Lula Cabeleira. Vilar diz que a iniciativa dos sem-terra tem ingerência política, uma vez que Lula Cabeleira teria abdicado da venda da fazenda por meio de lotes - que lhe renderiam R$ 26 milhões - ?para insistir? no projeto social que lhe renderia ?apenas? R$ 8 milhões com a venda da fazenda. Embora não cite nomes, Gilvan Villar estaria se referindo ao grupo político liderado pelo prefeito Marcelo Lima (PDT) e pelo vice-prefeito, José Ferreira de Oliveira, o Cazuza (PSB), líder comunitário que já fez parte da direção do MST no Sertão e, hoje, ocupa a presidência do diretório municipal do PSB. Cazuza disse ontem que dá apoio ?moral e individual? à ocupação da fazenda de Lula Cabeleira, que foi adversário de seu grupo político na eleição de 2004. ?Dou todo apoio moral à ocupação do imóvel, que sempre foi improdutivo?, afirmou o vice-prefeito, que evitou polemizar e politizar a ocupação. Ontem à tarde a Gazeta acompanhou o trabalho coordenado de limpeza do ?matagal? que dominava o horizonte na fazenda do ex-prefeito. ?Para onde você olha, é só mato. Não se produzia nada aqui?, criticou Jurandir Fernandes dos Santos, coordenador do MST na região sertaneja. Depois da limpeza, os trabalhadores começaram a construção de barracos para abrigar mais de 230 famílias de trabalhadores que não paravam de chegar à fazenda, que fica a menos de 10 minutos do centro da cidade. ?A gente só sai daqui com uma posição concreta por parte do Incra. Queremos a posse da fazenda já?, avisou Jurandir Fernandes. Em ?clima de paz?, os trabalhadores aguardam para hoje reunião com representantes do Incra de Alagoas. Até ontem à noite, o empresário Lula Cabeleira não tinha tomado nenhuma medida jurídica no sentido de retomar a posse do imóvel, cuja venda ao Incra depende de consenso com relação aos valores propostos pelo governo federal. MM

Relacionadas