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Amea�a de despejo gera clima de tens�o

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MARCOS RODRIGUES Repórter A situação das 21 famílias que invadiram uma área no Benedito Bentes, no Conjunto Galiléia, é tensa. Elas devem ser despejadas amanhã, em cumprimento a uma ordem judicial proposta pela Construtura Ancil, proprietária legal do terreno. Como até ontem não havia sido firmado nenhum acordo para evitar a retirada, os moradores prometem resistir. ?Estamos vivendo um clima muito ruim porque não sabemos o que vai acontecer. Só sei que não vou aceitar sair deixando para trás tudo que construí com sacrifício?, avisou Alvânio Costa, que está desempregado. Ele é pai de um filho recém-nascido e mora numa casa, ainda sem reboco, com a esposa. Ontem, sua maior preocupação era com o futuro da família. ?Não quero ver meu filho desabrigado, por isso temo pelo que pode acontecer quando a polícia estiver aqui?, confessou Costa. O conjunto, que hoje conta com água e esgoto, foi construído em sistema de mutirão pelos moradores do local. Gente como o jardineiro desempregado Jeferson Alves, 31. Ele lembra que para levantar as paredes da casa se desfez dos poucos móveis e eletrodomésticos. ?A gente não tem trabalho, por isso valorizamos isso aqui porque nos livra do aluguel?, disse. Injustiça A realidade não é diferente na casa do estoquista desempregado Paulo Roberto Sarmento Rocha, 33. Casado e com quatro filhos, ele considerou uma injustiça a decisão da retirada. ?Quem veio para cá é porque não tem para onde ir?, desabafou. O conjunto foi construído a partir de uma invasão a um terreno que possuía uma plantação de cana abandonada. No início as casas eram verdadeiros barracos. O surgimento das casas de alvenaria aconteceu na gestão passada da prefeitura, que segundo os moradores nunca os ajudou. Os moradores estão em negociação com a Secretaria Municipal de Controle do Convívio Urbano (SMCCU). Ontem, numa reunião com o secretário Ednaldo Marques, eles voltaram a ser incentivados a alugar imóveis até R$ 100 para deixarem a área. O aluguel seria pago pela prefeitura, mas os moradores afirmam não encontrar casa para alugar por este preço. ?Eles querem que a gente alugue os imóveis, mas quem tentou esbarrou na desconfiança dos proprietários que querem fiador, pagamento adiantado e a comprovação de renda?, queixou-se o pedreiro Eriberto Farias, preocupado com a perda da escola para os filhos. A Polícia Militar, por intermédio do Centro de Gerenciamento de Crises, acredita que há uma saída não violenta para o problema. ?Já existe um acordo em curso que envolve a mudança?, disse o tenente-coronel Adilson Bispo.

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