Cidades
Referendo sobre com�rcio de armas mobiliza eleitores
FÁTIMA ALMEIDA Repórter Os cartórios eleitorais de Maceió estão lotados. A proximidade do final do prazo para a regularização do título para quem pretende votar no referendo sobre o comércio de armas de fogo no Brasil, marcado para o dia 23 de outubro, tem mobilizado os eleitores e multiplicado o trabalho nos cartórios eleitorais. Pelo calendário, só pode participar do referendo quem estiver quite com a Justiça Eleitoral até o próximo sábado. As situações que se enquadram nesse prazo são o alistamento e a transferência de domicílio eleitoral. Os casos de requerimento de segunda via e revisão do documento (correções de dados) podem esperar mais um pouco, sem comprometer a participação do eleitor. ?Todo mundo está vindo de uma só vez. Tem gente que nem precisava estar aqui porque sua situação poderia ser resolvida depois. Outros não trazem a documentação correta e têm que retornar?, diz o chefe do Cartório da 1ª Zona Eleitoral, Kléber Valente. Liliane dos Santos, 19 anos, vai votar pela primeira vez. Quer ajudar a desarmar o País, por meio do voto. Ela tentou tirar o título na segunda-feira, mas, como não estava com os documentos necessários, teve de enfrentar a fila novamente. Chegou ao cartório ontem, por volta das 6h e, às 9h, ainda estava longe de ser atendida. Simoneide Correia também estava na fila pela segunda vez. Na terça-feira ela pegou a ficha de número 155 para fazer a transferência do título. Como não conseguiu ser atendida até o meio-dia foi embora. Ontem, foi a 15ª pessoa a chegar. Às 9h30 ainda estava na fila. Naquele horário, já tinham sido entregues mais de 400 fichas para o dia. A espera na fila tem sido longa. Apesar do movimento, a Justiça Eleitoral não aumentou o pessoal de atendimento. A consulta popular aos eleitores brasileiros é prevista na Constituição, mas, para muitas pessoas, é um fato novo. A experiência dessa prática limita-se a dois plebiscitos, ambos para decidir sobre sistemas de governo. O primeiro foi realizado em 1963, com o objetivo de ouvir a nação sobre a continuação ou não do sistema parlamentarista, estabelecido em 1961. Venceu o presidencialismo. Durante a Constituinte (1987-1988) a polêmica sobre o sistema de governo voltou ao foco e resultou na realização de um plebiscito, em 1993, onde, mais uma vez, venceu o presidencialismo. Desta vez a consulta popular é para decidir se o comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil. O referendo está previsto no Estatuto do Desarmamento, aprovado em dezembro de 2003.