Cidades
Sem-terra voltam a ser despejados e amea�am reagir
MARCOS RODRIGUES Repórter Messias - A desocupação imediata determinada pela Justiça da Fazenda Flor do Bosque, com 484 hectares, em Messias, distante 35Km de Maceió, pode acabar em morte. Quem avisa são as 107 famílias de trabalhadores rurais sem-terra ligados à Comissão Pastoral da Terra (CPT). Eles estão na área há sete anos, lutando para serem assentados no local. Segundo os trabalhadores, o juiz Gilvan S. de Oliveira determinou a desocupação atropelando todos os acordos vigentes para a permanência das famílias na área. ?É uma decisão que pegou a gente de surpresa, porque cumprimos todos os acordos para a nossa permanência. Desde que soubemos disso, o clima aqui é tenso?, contou o coordenador do acampamento, José Mariano da Silva, o seu Del. Os trabalhadores rurais já resistiram a 14 tentativas de reintegração de posse. A luta pela permanência das famílias é reconhecida internacionalmente, por meio de comitês de direitos humanos com sede no Canadá e na Itália. No último enfrentamento, ocorrrido no ano passado, ficou determinado que a fazenda seria usada para fins de reforma agrária. ?Os técnicos do Incra estiveram aqui realizando até medições?, lembrou um dos trabalhadores, demonstrando revolta com o que considera uma traição. Essa também é a opinião do coordenador regional da CPT, Carlos Lima. Ontem, por telefone, ele disse que os trabalhadores não irão aceitar o ?descumprimento do acordo para a compra da fazenda?. Hoje, uma reunião no Incra irá tentar reverter a decisão judicial. A maior resistência dos trabalhadores deve-se ao fato de a área ser a primeira ocupação da CPT no Estado. Além disso, nesse período eles têm plantado feijão, mandioca, inhame e milho. Como sempre tiveram a expectativa da permanência, famílias nasceram no acampamento. É o caso do jovem Rodrigo Maciel, 22, que casou e, hoje, já é pai de Thalisson, 8 meses. ?Não saio para ficar perambulando com meu filho?, alertou. ### MLST consegue lona e deixa Maceió Em Maceió, a mobilização foi dos trabalhadores do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST). Ao todo, 1.500 trabalhadores protestaram contra a demora nas desapropriações e reivindicaram mais cestas básicas para as famílias acampadas. Segundo o coordenador estadual do MLST, Marco Antônio da Silva, o Marron, foram discutidos com o ouvidor agrário Nacional, Gercino Silva e o estadual, Marcos Bezerra, dez pontos de pauta. Entre eles a lentidão nos processos de compra de terras e o não cumprimento do Plano Nacional de Reforma Agrária. ?A proposta inicial era assentar 3 mil famílias, mas, até agora, apenas 500 conseguiram. Além disso, nenhuma família do MLST foi agraciada?, observou Marron. Retirada Depois de um dia inteiro de negociações, ele considerou positivo o encontro com os representantes do Incra porque conseguiu garantir algumas das reivindicações como a liberação de 50 das 150 lonas solicitadas para os acampamentos. No final da tarde, as famílias voltaram para os seus acampamentos e assentamentos com a promessa de voltar na terça-feira (26). ?Participaremos do Dia do Trabalhador Rural. Não temos nada para comemorar e sim para protestar?, disse o líder do MLST. O protesto contará, ainda, com trabalhadores da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Sem Terra e Movimento Terra e Liberdade.|MR