Cidades
Moradores se recusam a deixar Galil�ia
FÁBIA ASSUMPÇÃO Repórter As 25 famílias que construíram casas numa área invadida no Benedito Bentes dizem que vão continuar resistindo à ordem da Justiça para que saiam do local. O prazo dado pelo juiz da 2ª Vara de Efeitos Privativos, Eduardo Andrade, para que o mandado de reintegração de posse seja cumprido, encerra-se na próxima terça-feira. O clima entre os moradores da área, batizada de ?Loteamento Galiléia?, é de revolta. No total, existem cerca de 100 lotes, mas devido à precária situação financeira das famílias invasoras, muitas sequer conseguiram levantar suas casas. As 25 famílias que moram hoje na área investiram até R$ 2 mil para construir casas de alvenaria, todas ainda sem acabamento e temem perder tudo. Gabriel Barbosa diz que os moradores não foram ouvidos no processo que concedeu o mandado de reintegração da área a três pessoas que se apresentaram como supostos donos dos terrenos: Hélio Rocha Cabral de Vasconcellos, Davi James Fireman e Francisco Coelho Tenório. Segundo Gabriel, na petição inicial do pedido de liminar para reintegração de posse, o advogado dos supostos proprietários do terreno, Marcos Antônio Barbosa, apresentou uma informação inverídica de que a área foi ocupada há apenas seis meses e havia no local apenas barracos de lona. Gabriel, que mora há cinco anos no loteamento, diz que o terreno faz parte de uma área de plantio de cana da Usina Santa Clotilde, que foi abandonada e que depois de vários anos após a ocupação é que surgiram os supostos donos do terreno. Os moradores do loteamento entraram com uma ação na Justiça com pedido de usucapião urbana e com um recurso especial no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. ?Só que o juiz quer que a gente espere a decisão do tribunal fora das casas?. Os moradores resistem à idéia de sair porque temem que as casas sejam derrubadas. Eles não aceitam, inclusive, a proposta apresentada pela prefeitura de pagar o aluguel de casas no valor de R$ 80,00 a R$ 100,00 por seis meses até serem transferidos para o Conjunto Carminha. Gabriel ressalta que o Iteral fez o levantamento topográfico do Galiléia e dividiu os lotes do terreno. O sistema de abastecimento de água foi regularizado pela Casal e os moradores já deram entrada na Ceal com o pedido para regularização das ligações de energia elétrica.