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Moradores enfrentam ordem de despejo

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MARCOS RODRIGUES Repórter O sonho da casa própria dos moradores do Alto da Boa Vista, em Guaxuma (às margens da AL-101 Norte), virou pesadelo na tarde de ontem. Depois de invadirem há mais de 20 anos uma faixa de 3 quilômetros de extensão, pertencente ao extinto Balneário do Produban, as mais de 600 famílias enfrentaram uma nova ameaça de despejo. Ontem, a tranqüilidade do lugar, que tem uma das mais belas vistas do Litoral Norte, ainda cercada por coqueirais, foi quebrada com a visita de um oficial de Justiça. Ele foi cumprir a ordem de reintegração de posse concedida pela justiça contra uma das residências localizadas à beira da pista, defronte ao Balneário do Produban. Segundo relato dos moradores, o oficial de Justiça agiu em tom de ameaça e prometeu voltar com um chaveiro para gatantir a reintegração da primeira casa. ?Nós estamos com medo porque não há diálogo e do outro lado existem pessoas importantes?, disse o vice-presidente da associação que representa os moradores, Benedito Araújo. Em tom conciliador, ele tenta conter os impulsos dos vizinhos. ?Eu não vou entregar minha casa de graça, sem ter para onde ir. Estou disposta a tudo?, disse uma moradora sem querer se identificar e propondo a interdição da pista. Mobilização A resistência à reintegração dos imóveis já está sendo articulada. Os moradores se dizem acostumados a fazer barulho para serem ouvidos. Foi assim que conseguiram a instalação de uma lombada na pista que dá acesso ao local. O terreno onde cresceram e se multiplicaram os casebres, barracos e as casas de alvenaria foi adquirido pela construtora Lima Araújo, em 2000. No ano passado, aconteceu a primeira tentativa de reintegração. As manifestações e uma ação movida por meio da Defensoria Pública adiaram a medida. Mas os moradores não sabem o que aconteceu com o processo e, muito menos, quais alternativas que restam para mantê-los na área. ?Sei que a Lei do Uso Capião beneficia a maioria das pessoas dessa área?, lembrou Benedito Araújo. Entretanto, de uma coisa os moradores têm consciência: que estão no meio de uma disputa imobiliária que visa implantar um condomínio de luxo, em parte da área. Próximo do Alto da Boa Vista já existe um conjunto de mansões com frente para o mar. Para as mulheres a maior preocupação é com os serviços que têm ao alcance. ?Temos serviços de saúde e de educação. O transporte é na porta. Trabalho como faxineira e lavadeira para dar condição de estudo às crianças?, disse Maria Helena Silva. Para dona Maria Rute Batista, que tem o mar como paisagem há 11 anos, o tempo lhe deu direitos de desfrutar do local. ?É por isso que não temo sair daqui. Já derrubaram minha casa uma vez, mas com a ajuda de Deus consegui reerguê-la?, lembrou. Paradoxo As famílias reclamam de abandono por parte do poder público e lamentam a falta de lideranças que ?comprem a causa? da permanência deles no local. ?As ameaças de despejo acontecem sempre depois das eleições. Em ano eleitoral isso não ocorre?, alega faxineira Meirivânia Tavares. Os moradores dizem não entender como é que eles têm acesso a serviços como água e energia elétrica, mas não podem ser incluídos no cadastro do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Como estão na área do Balneário do Produban, o carnê de cobrança vem em nome da instituição. Ontem, enquanto denunciavam a situação eles apresentaram o documento identificando como proprietário da área o extinto Produban.

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