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Parada gay deve levar 40 mil � orla

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REGINA CARVALHO Repórter Munidas de muita maquiagem, adereços, alegria e disposição, as drag queens estão prontas para mais uma parada unificada do orgulho gay em Maceió. Na quinta edição, o tema deste ano é União Civil Já, referência ao relacionamento estável entre pessoas do mesmo sexo. O evento pretende levar para a orla da capital mais de 40 mil pessoas na tarde deste domingo, levadas por três trios elétricos e shows. Muitas pessoas devem vir em caravanas de outros estados para participar da festa, com concentração na Praia de Pajuçara, às 14 horas. Como acontece em outras localidades, as drag queens são uma atração à parte. Uma mistura de cores, ousadia e muito bom humor. A parada é um evento esperado com ansiedade durante todo o ano, e antes disso muita preparação até o ápice: o desfile que agrada a maioria dos segmentos da sociedade e desperta a curiosidade de quem pretende ?ver de perto? figuras inusitadas. O estudante Carlos Henrique Silva dos Santos, 20 anos, resolveu virar drag queen há três anos. De comportamento tranqüilo, poucos o reconheceriam quando ?montado?, expressão utilizada por eles depois da transformação. extravagÂncia Óculos com lentes corretivas deixadas de lado, roupas ?normais? e chinelo. Aos poucos, ele vai deixando o tradicional e se transformando num personagem extravagante. Tudo para sair bem na parada do orgulho gay, um momento também de muita paquera. ?Rola muita paquera. Não tem como sair da parada sem beijar na boca de alguém?, relata o estudante, homossexual assumido. ?Meu namorado aprova quando eu me monto, mas sempre rola um ciúme básico?, acrescenta. Já ?montado? ele esquece seu nome de batismo e agora se chama ?Ingrid Agnes?. O desejo de se tornar uma drag queen veio a partir da admiração por artistas que se apresentam em boates e festas. ?No dia-a-dia sou uma pessoa normal como as outras, mas adoro me montar. É um personagem que faço?, confessa o estudante. ?Vale a pena? Com 1,84m de altura, Carlos Henrique depois de ?montado? chega com seus sapatos altos a mais de 1,90 m. Todo sacrifício, segundo ele, vale a pena. ?Já estou acostumado. Quando chego na avenida, esqueço que estou com sapatos tão altos?, destacou o estudante. Ele acrescenta que pretende continuar fazendo shows, mas que sonha fazer um curso superior de Letras ou Teatro. ?Drag queen será uma atividade paralela. Ganho pouco com isso?, ressalta. Cleiton Henrique Bezerra, 21 anos, também quer fazer bonito na parada gay. Para isso, já reservou a roupa que vai desfilar em cima do trio elétrico. ?Esse é um momento muito aguardado por todos nós?, conta o cabeleireiro que assume o nome de ?Pietra de Castro? para fazer shows em casas noturnas e festas. Violência A parada do orgulho gay em Maceió também será um momento de denúncia e mobilização contra a violência que atinge os homossexuais no Estado. Esta semana, o Grupo Gay de Alagoas (GGA) denunciou que treze homossexuais foram assassinados somente este ano no Estado. ?Estaremos juntos também para pedir um basta contra a homofobia?, declarou Kassandra Nascimento, referindo-se ao termo usado para designar a reação negativa de homens a esse segmento, que normalmente se utilizam da agressividade extrema antes da prática do homicídio. O caso mais recente envolve Jeová Cândido Barbosa, 21 anos, preso ontem na última sexta-feira à tarde, por policiais sob acusação de ter matado com vários golpes de falcão o homossexual Irapuã Gomes Batista, no último dia 9, no município Santa Luzia do Norte. O mais preocupante, de acordo com os responsáveis por entidades de defesa a esse segmento, é que o índice de homicídios tem aumentado nos últimos anos quando a média anual era de três crimes.

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